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Reforço15/01/2013 | 08h03

Camisa 10 do Caxias no Gauchão tem experiência no futebol de Irã, Omã e Coreia do Sul

Jogador de 30 anos lembra da época do Ramadã, quando tinha de fazer estoque de comida

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Camisa 10 do Caxias no Gauchão tem experiência no futebol de Irã, Omã e Coreia do Sul Maicon Damasceno , Agência RBS/
Renato Medeiros é titular do técnico Picoli Foto: Maicon Damasceno , Agência RBS
Renato Medeiros é o típico jogador extraclasse. Inteligente, estudioso, com inglês fluente, organizado, bem articulado e, para não ficar só nisso, bom jogador, é claro. Meia-esquerda tradicional como nos velhos tempos, foi formado nas categorias de base do São Paulo. Passou também por Portuguesa Santista e Ponte Preta, mas descobriu um mundo novo e uma forma de ganhar dinheiro no Oriente Médio e na Ásia. Agora, vai iniciar o Gauchão 2013 a partir de domingo com a camisa 10 do Caxias.

— Não teria sentido sair do Brasil se não fosse a parte financeira. Há seis, sete anos, quando eu fui pela primeira vez para Omã, ganhava-se cinco, seis vezes mais do que se ganhava no Brasil. Agora, a remuneração está mais equilibrada. Os times da Série A do Brasileirão já pagam muito bem — conta o jogador de 30 anos.

Entre Omã, Irã e Coreia do Sul, o Irã é responsável pelas melhores recordações. Com futebol profissional há muitos anos, bom público nos estádios e estrangeiros de alto nível, a adaptação foi mais fácil. Tanto que o meia atuou por três temporadas no país. Primeiro, no Sanat Naft (2007/2008 e 2008/2009), que é um clube do governo, e por último no Bargh Shiraz (2011/2012), que é de uma companhia elétrica. Em Omã, na temporada 2006/2007, atuou no Muscat Club, da Capital. Na Coreia do Sul, vestiu a camisa do Gangwon FC em 2010. 

Para jogar no Exterior é preciso disciplina. O meia estudou inglês, aprendeu a cultura dos países, se acostumou com a comida e se interessou até pela história de cada região.

— Todo o país tem a sua cultura. No Irã, eu não podia usar bermuda nem regata na rua. Usava calça jeans. A minha mulher sempre andava com aquele negócio na cabeça e uma roupa mais folgada. A gente respeitava isso, respeitava o silêncio na hora da reza deles — diz o brasiliense.

São sobre religião os relatos mais curiosos:

— Quando eles estão no Ramadã (mês em que os muçulmanos praticam o ritual do jejum), rezam muito. O técnico parava o treino no meio, e eles iam rezar. Os estrangeiros ficavam no aquecimento. É estranho ver um atleta ficar das 6h às 19h em jejum de água e comida. Eles fazem isso por 30 dias, vi jogador desmaiando.

O problema é que afetava a rotina dos brasileiros também:

— A gente tinha que se preparar. O pessoal do clube avisava uma semana antes: "se preparem, vai começar o Ramadã". Aí, minha mulher fazia uma corrida no mercado para fazer estoque. Porque nessa época, tudo fechava mais cedo, os mercados, os restaurantes, tudo mudava de horário.

No Caxias, com arroz, feijão, massa e galeto, sem Ramadã e rezas que interrompem os treinamentos, Renato Medeiros está pronto para brilhar no Gauchão pela primeira vez. 

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