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Festa ameaçada no sul do Estado28/12/2012 | 09h34

Som de baile provoca discórdia no Cassino

Queixa de moradora limitou horário e decibéis de evento em frente à igreja

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Som de baile provoca discórdia no Cassino Márcio Gandra/Especial
Preocupado, o comerciante Darcy Ribeiro de Paiva, um dos organizadores da festa, criou um abaixo-assinado em busca de apoio para que o tradicional baile da igreja prossiga no Cassino Foto: Márcio Gandra / Especial
O baile em frente à Igreja Sagrada Família é tradição no balneário Cassino, em Rio Grande. Um impasse, porém, ameaça a festa neste verão. Após uma moradora se queixar ao Ministério Público (MP) sobre o barulho, a música e a dança ficaram restritas até as 22h e a 30 decibéis.

Aos finais de semana e vésperas de feriado, o baile é uma das atrações do balneário. Na calçada da frente da igreja, na Avenida Rio Grande, artistas locais tocam músicas que vão de Beatles a Raça Negra. Durante as apresentações, dezenas de pessoas lotam a pista de dança. Outras acumulam-se em cadeiras de praia e participam cantando e batendo palmas.

O público é composto, na maioria, por casais entre os 40 e 60 anos. Mas não é incomum encontrar jovens ou pessoas mais idosas. Apesar do histórico pacífico e do ambiente familiar, a festa tem, pelo menos, uma pessoa incomodada. A moradora de uma casa localizada próxima à igreja procurou o MP para reclamar. Ela, que não teve identidade revelada judicialmente, relatou que o baile causa poluição sonora em sua residência.

O promotor Érico Rezende Russo marcou para ontem uma audiência de conciliação, mas não houve acordo. Por isso, o MP observou que deve ser respeitado o previsto na lei municipal. Assim, o baile teve o som limitado a 30 decibéis e não pode passar das 22h. A prefeitura será a responsável por fiscalizar o cumprimento da medida.

– Não sei como fazer o baile – conta o comerciante Darcy Ribeiro de Paiva, o Pingo, um dos organizadores.

Frequentadores se unem para reverter medida

Preocupado, Darcy Ribeiro de Paiva criou um abaixo-assinado. Após recolher mais de 880 assinaturas, o proprietário de uma das bancas de doce mais tradicionais do balneário – localizada em frente à igreja que não organiza, mas permite a festa – apresentou o documento ao Ministério Público como contraponto à reclamação da vizinha.

O movimento também ganhou força nas redes sociais, com manifestações favoráveis, como a de Isnard Mendes da Silva, 53 anos, um dos músicos que animam o baile:

– A festa é um ambiente que lembra os antigos cinemas ao ar livre. Familias inteiras vão ali tomar chimarrão e ouvir música. Apesar da restrição, os organizadores garantem que o baile será realizado hoje e que a lei será cumprida. Mas reiteram que a mobilização seguirá em busca de consenso.

Da tradição às telas

O baile da igreja do Cassino é tão tradicional que inspirou até outras formas de arte. O rio-grandino Jorge Rosa chegou, inclusive, a pintar um quadro em homenagem à festa. 

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