Após passarem mais de 30 horas detidas no Comando Regional de Polícia Ostensiva (CRPO) do Vale do Taquari, a primeira-dama e secretária de Saúde de Colinas, Cristiane Keller, e a chefe do centro de saúde, Ana Cristina Kohler, foram liberadas por volta das 21h de terça-feira. Elas irão responder em liberdade pelo processo que investiga suposta cobrança indevida de procedimentos do SUS. No entanto, ficarão afastadas dos cargos.
Já o prefeito da cidade de 4,2 mil habitantes, Gilberto Keller (PMDB), suspeito de chefiar o esquema, permanece em viagem de férias nos Estados Unidos. A Procuradoria de Prefeitos, órgão do Ministério Público Estadual, aguarda a volta dele para ouvi-lo. Ele também é investigado pela promotoria de Justiça de Estrela e, caso seja condenado, pode ter o mandato cassado. Keller foi reeleito este ano com 66,28%.
O promotor Luiz Eduardo Menezes afirma que não sabe qual a quantia que o suposto esquema teria movimentado. O cálculo será feito após análise dos documentos apreendidos na Operação Colapsus.
— Em um único dia, apreendemos R$ 500. Sabendo disso e que os procedimento eram cobrados há quatro anos, já podemos imaginar quanto que eles arrecadavam. Em depoimento, famílias contaram que chegaram a se desfazer de bens para pagar por cirurgias — conta Menezes.
Segundo ele, os indícios apontam que as funcionárias cobravam por exames laboratoriais e cirurgias conveniadas com um hospital da região. Procedimento que, na verdade, deveriam ser gratuitos ou parcialmente custeados pela prefeitura. Se condenadas, elas podem ter uma pena de três a oito anos de reclusão.
O advogado das investigadas, Fábio Gisch, afirma que não vai comentar o caso, porque ainda não teve acesso ao processo e que susas clientes estão orientadas a não falarem também. Ele diz que pediu a liberdade das funcionárias, com base no fato de serem mulheres, mães, não apresentarem risco à sociedade e terem boa conduta. Além disso, afirmou que o prefeito deve retornar da viagem até o fim de semana.












