A Polícia Civil aguarda o laudo do Instituto Geral de Perícia (IGP) e a tomada de depoimentos de testemunhas e familiares para tentar esclarecer as causas da morte de Andre Machado Gonçalves, 33 anos, que se afogou no último domingo na Praia do Laranjal, em Pelotas, no sul do Estado.
Segundo a polícia, o revendedor de carros aproveitava o dia ensolarado no balneário, quando decidiu pegar emprestada a moto aquática de um amigo. Sem experiência, ele se desequilibrou em uma manobra brusca e caiu na água.
A mulher assistiu de longe os pedidos de socorro. Outra moto aquática o resgatou. Mas ele já chegou na areia sem vida. O episódio aumenta a lista de acidentes com morte envolvendo moto aquática. Nos últimos cinco anos, houve 12 acidentes no Estado, sendo cinco vítimas fatais — e destas, quatro não tinham habilitação.
Gonçalves, de acordo com a Marinha do Brasil, se enquadrava nessa última classificação. A instituição informa que a vítima não tinha licença para conduzir motos aquáticas e tampouco usava colete de salva-vidas, itens obrigatórios. O resultado da perícia no corpo do revendedor deve ser divulgado em 45 dias.
A responsabilidade por fiscalizar locais como a Praia do Laranjal, na Lagoa dos Patos, é da Capitania dos Portos. De acordo com o capitão de fragata Hugo Fortes, havia fiscalização no local na tarde de domingo, mas no horário do afogamento — 17h30min — as equipes já haviam saído, pois poucas embarcações permaneciam na Lagoa dos Patos. Ele ainda afirma que foi instaurado um inquérito administrativo para apurar melhor as causas do acidente. No caso, o proprietário da moto aquática pode ser autuado por ter permitido que uma pessoa sem habilitação conduzisse o veículo. A pena pode ser desde uma multa (ele não sabe de quanto) até perda da carteira de habilitação.
O que preocupa a Marinha do Brasil é que, com a chegada do verão, mais pessoas sem licença para conduzir veículos na água se arrisquem a fazê-lo. O velório e o sepultamento de Gonçalves ocorreram ontem, no Cemitério São Francisco de Paula, em Pelotas. Ele deixa dois filhos.
Como tirar a licença para conduzir moto aquática
— É preciso contatar a Capitania dos Portos em Porto Alegre, Rio Grande, Tramandaí ou Uruguaiana.
— São necessários documentos, como Carteira de Identidade, CPF, endereço e atestados médicos psicológico e físico. Se você tem carteira de habilitação válida para veículos automotores, esse último item é dispensável na apresentação do documento.
— É necessário pagar uma taxa de R$ 40 e prestar exames prático e teórico.
— A habilitação para moto aquática tem validade de 10 anos.
— Para renovação, é preciso apresentar novos atestados médicos psicológico e físico e pagar uma taxa de renovação de R$ 50.
Cuidados na água
— Não conduza motos aquáticas sem habilitação.
— Utilize sempre coletes salva-vidas, tanto condutor quanto passageiro.
— Evite áreas com banhistas, a lei estipula que embarcações devem ficar pelo menos 200 metros distante dos banhistas.
Números: confira as estatísticas no Estado de acidentes envolvendo motos aquáticas nos últimos cinco anos
— Região de Porto Alegre: Sete acidentes e três mortes.
— Região de Tramandaí: Dois acidentes e uma morte.
— Região de Rio Grande e Pelotas: Três acidentes e uma morte.
— Região de Uruguaiana: Nenhum acidente e nenhuma morte.







