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Tragédia familiar11/12/2012 | 08h16

Para parentes de família morta em Penha, confissão de filho faz crescer desespero

Polícia agora espera a prisão preventiva do homem que confessou ter matado pais, irmã e sobrinho

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Para parentes de família morta em Penha, confissão de filho faz crescer desespero Maiara Bersch/Agencia RBS
Irmão de suspeito, Roberto Flores diz que violência continua sem fazer sentido Foto: Maiara Bersch / Agencia RBS

A confissão de Luiz Carlos Flores, 35 anos, que admitiu no domingo à Polícia Civil ter assassinado os pais, a irmã e o sobrinho de dez anos na noite de sexta-feira, em Penha, no Litoral Norte, trouxe a confirmação de uma suspeita a membros da família Flores, mas não menos desespero.

O pescador Roberto Luiz Flores, 50, o Beto, um dos agora nove filhos vivos do casal formado por Carmem Cunha Flores, 69, e Luiz Nilo Flores, 72, mortos a golpes de marreta e martelo, continuava visivelmente abalado segunda-feira, ao falar a “AN” sobre a perda dos quatro familiares.

— Ele (Luiz Carlos, o Liquinha) tinha um comportamento bom —, ponderou Beto, sentado no banco em frente à casa da família no bairro Armação no qual Carminha descansava nos fins de tarde.

Morador da mesma rua, o pescador afirmou que, para ele, a chacina continua sem sentido. Em meio ao choro que tentava segurar, Beto reconheceu que Luiz Carlos e a irmã deles, Leopoldina, 41, o alvo da fúria do acusado, discutiam sob o mesmo teto.

Usuário de cocaína, Liquinha acusava a irmã de ser favorecida pelos pais; já Leopoldina, a Preta, achava que o casal fazia vista grossa ao comportamento do filho. Mas a rivalidade não serve de explicação para Roberto.

— Ele discutia, mas nunca levantou a mão —, disse.

Com o coração dividido, o pescador diz que perdoou o irmão do “fundo do coração”, apesar de não aceitar o que aconteceu.

Coisa de filme, diz delegado

Comentários menos misericordiosos tomaram as redes sociais segunda-feira, um dia depois de Luiz Carlos ser preso pela chacina em que o filho de Preta, Pedro Henrique, de dez anos, também foi morto para não servir de testemunha.

— Que ódio tenho em pensar no meu tio, muito magrinho, e você ter coragem de marretar a cabeça dele. Sendo que no dia em que o matou, ele ainda trabalhou para te sustentar —, escreveu segunda-feira em seu perfil no Facebook uma parente da família, com o pensamento em Liquinha.

A casa na rua Tijucas traz hoje memórias tristes a um primo de Roberto, Renato Francisco, 40. Ele reconhece que desconfiou de Luiz Carlos desde o início – o suspeito afirmou, no início, estar tomando banho durante as mortes. Renato conta ter estranhado ver, na sexta, as luzes da casa apagadas.

Momentos antes o primo, que mora na Tijucas, havia sentado no banco em frente à casa e conversado com Luiz Carlos, que havia virado a noite usando cocaína.

— Ele estava de cabeça baixa —, recorda.

A frieza de Luiz Carlos, porém, se manifestou nas explicações para o crime – ciúmes de Preta, pena da tristeza da mãe após a perda, e anular testemunhas – e a participação no velório, um dia antes da confissão.

Nunca vi nada igual. Só em filme —, comentou o delegado Rodolfo Farah Valente Filho, que assumiu o caso.

De cabeça baixa durante o velório, Luiz Carlos estava estranho, lembra o primo.

— Parecia ter uma coisa pesada com ele. Saiu de moto como doido e voltou. Não se emocionou como os outros irmãos —, recorda.

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