Contadora por formação, Roseli Aparecida Consolaro Nabozny, 46 anos, viu um mundo novo se revelar por trás dos números depois que ajudou a fundar a Essência de Vida, há quase duas décadas. Os primeiros cinco anos foram regados a contas e muita papelada, mas aos poucos ela desprendeu-se da parte burocrática e se deixou levar pela terapêutica.
O equilíbrio contido em cada palavra dita por Roseli e a sensatez dos seus raciocínios dizem muito sobre o porquê de ela ter seguido por este caminho.
— Para mim, a Essência de Vida é uma escola, ela me ensinou um jeito de lidar com as pessoas que nenhuma faculdade vai ensinar. Eu não consigo viver fora disso.
A convivência com os meninos internados fez Roseli descobrir a sua vocação: cuidar das pessoas. Cada vez mais interessada pela área, a contadora especializou-se em um curso sobre dependência química pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e iniciou uma pós-graduação em dependência química e saúde mental e ainda faz faculdade de serviço social.
Todas essas atividades, Roseli concilia com o trabalho no escritório de contabilidade que tem com o marido, com as quintas-feiras dedicadas à casa de recuperação, além das atribuições como coordenadora técnico-administrativa da Essência de Vida e com a casa e a família.
— Sou muito pontual, perfeccionista e focada. Se tenho um trabalho para fazer, eu faço e termino. Priorizo o que é mais importante. Quando não funciona assim, nada que uma madrugada não resolva —, ri.
A família sempre engajada em causas sociais foi um incentivo natural, que a ajudou a inserir-se no voluntariado desde cedo.
— Gosto do que se pode fazer pela pessoa, a troca. Acho que isso enriquece bastante. Não tem preço —, acredita.
Uma consequência gratificante de seu trabalho é ter se tornado referência para os meninos tratados pela instituição.
— É muito legal. Os meninos voltam tanto para contar algo que aconteceu na vida deles, quanto para pedir ajuda —, orgulha-se.









