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Energia elétrica22/12/2012 | 12h01

Ceee opera no limite

Estatal diz que problemas são exceções, mas admite que sistema está em capacidade total

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Ceee opera no limite Marcelo Oliveira/Agencia RBS
Poste na Avenida Tronco está em situação crítica: inclinado e prestes a cair Foto: Marcelo Oliveira / Agencia RBS

O temporal da madrugada do dia 10 de dezembro, que deixou 573 mil consumidores sem energia na área de cobertura da Ceee, muitos por um período de até quatro dias, e as novas quedas de luz desta semana revelaram um cenário de preocupação: será que o verão terá apagões?

A estatal garante que o abastecimento deve transcorrer dentro do normal, e situações como essas (os estragos causados pelo temporal) são exceções. Ainda assim, o atual quadro de energia no Estado preocupa.

Baseada no cenário dos últimos anos, a Ceee vinha trabalhando com um índice de crescimento no consumo de 4% no verão. Só que, esse ano, esse número surpreendeu: já chegou a 8%.

Utilização do sistema é total

Somado ao déficit histórico nas melhorias, o número coloca toda a rede de distribuição em alerta. O principal aumento é no setor residencial.

- Está se utilizando totalmente o sistema. Estamos operando no limite - reconhece o engenheiro eletricista da Ceee Ricardo Munhoz.

Segundo ele, o ideal é que um equipamento elétrico opere utilizando 70% a 80% de sua capacidade. Atualmente, esse número fica acima de 90% na rede da estatal. Contudo, ele afirma que o cenário não é de sobrecarga.

Três fatores são prejudiciais

Mas o longo período com poucos investimentos na rede, o aumento do consumo e o excesso de ligações irregulares, diz Ricardo, prejudicam a qualidade de energia oferecida.

Ele comenta que outro problema é o "gato" feito por consumidores regulares. São pequenos comércios e indústrias que puxam uma fonte de energia para abastecer o local, apesar de pagarem luz em suas casas. DENISE WASKOW

Ficar sem luz já é rotina

Os problemas no abastecimento de luz são conhecidos de Hedi Pereira, 72 anos, há mais de um ano. Moradora do Parque dos Maias, ela é a porta-voz da vizinhança para as constantes quedas de energia na região.

Hedi conta que falta energia uma ou duas vezes por semana. Às vezes, a luz volta rápido. Em outras, demora 12 horas ou mais.

- O pessoal reclama que tá perdendo coisas. Os vizinhos que passam o dia fora, chegam à noite e têm de colocar carne, iogurte, frios, tudo no lixo - relata.

Prevenida, ela desliga os eletrodomésticos antes de sair de casa. O maior temor, porém, é pela sua saúde:

- Eu preciso fazer nebulização quatro, cinco vezes por dia. Tenho asma, não posso ficar sem.

Mais investimentos em 2013

O diretor de distribuição da Ceee, Rubem Cima, afirma que, desde o início do ano, os investimentos em melhorias de infraestrutura foram retomados. Em 2012, foram R$ 209 milhões para esse fim. Mas ele reconhece que há um déficit a ser recuperado.

- O investimento nos últimos dez anos foi insuficiente, por isso as dificuldades - explica.

Para os próximos dois anos, serão aplicados R$ 1,1 bilhões. Porém, como são obras maiores, como a construção de novas subestações e linhas de transmissão, o resultado vai demorar a aparecer. Na Capital, três das onze novas subestações previstas ficarão prontas só no final de 2013.

Uma das inovações, que deve reduzir a demora no restabelecimento da energia, em caso de queda de luz, é a instalação de chaves que permitem conserto à distância, sem a necessidade de que as equipes compareçam ao local. Além disso, os postes de madeira estão sendo substituídos por estruturas de concreto.

Situação se repete

Na tarde de quinta-feira passada, outro vendaval comprovou a vulnerabilidade das redes e a demora para restabelecer a luz. Cerca de 100 mil domicílios gaúchos ficaram sem eletricidade. No meio da tarde de sexta, eram cerca de 18 mil.

Além da falta de energia, a chuvarada trouxe outro problema. Diversas regiões de Porto Alegre tiveram mais de 24 horas de instabilidade no serviço.

Segundo a Ceee, a instabilidade pode ter diferentes explicações, como serviços de manutenção em andamento ou a colisão da vegetação nas redes. Em relação às reclamações sobre a impossibilidade de obter atendimento, a empresa afirmou que, sexta pela manhã, o tempo de espera na central de atendimento era de quatro minutos.

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