Militante do Partido Revolucionário Comunista na juventude, o governador Tarso Genro reencontrou suas origens nos quatro dias em que esteve em Cuba.
Na segunda-feira, antes de embarcar para Paris, onde será recebido hoje pelo presidente francês François Hollande, esteve na sede do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, em frente à Praça da Revolução.
Foi recebido pelo vice-chefe Jorge Arías, um bigodudo com aparência de personagem de filme sobre a Guerra Fria.
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A preocupação com a segurança, aliás, lembra os tempos da Guerra Fria. Há soldados por todos os lados e não se chega à esquina das ruas Boyeros y Tulipán, sede do Partido Comunista, sem que os passaportes dos ocupantes do táxi sejam conferidos minuciosamente para se certificar de que os estrangeiros estão com o visto em dia. Na sede do CCPCC, até o equipamento do fotógrafo do governador foi submetido a uma revista de cerca de 10 minutos.
Depois de uma hora, a porta da sala de reuniões se abriu para que fossem feitas imagens do encontro. O homem do bigode preto estava falando da crise econômica na Europa e da crise da esquerda. Ele e Tarso lamentavam a situação. O governador se despediu reafirmando a importância das relações entre o Rio Grande do Sul e Cuba, pela complementariedade das suas economias:
— As relações bilaterais têm de ser proveitosas para os dois lados.
Neste momento, o Rio Grande do Sul tem mais a dar do que a receber. A linha de crédito de R$ 40 milhões criada pelo Badesul para financiar as exportações de produtos gaúchos é um caminho para estimular as vendas para Cuba.
Durante a visita foi assinado o primeiro contrato, com a empresa Shoes Export and Import, do gaúcho Denilson Silveira, de Igrejinha, que desde 2002 vende sapatos fabricados no Estado, especialmente os da Picaddilly. No valor de R$ 1 milhão, esse empréstimo tem juro de 9,5% ao ano, 36 meses para pagar e um ano de carência.
No primeiro dia em Cuba, o presidente do Badesul, Marcelo Lopes, também conversou com representantes da BK Import, uma das estatais responsáveis pela compra de equipamentos. Os cubanos estão interessados em comprar ordenhadeiras fabricadas no Estado. Lopes falou do que o Rio Grande do Sul produz, e dá linha de crédito para os exportadores. Para sua surpresa, já que a burocracia em Cuba torna os negócios mais demorados, já no domingo a BK Import apresentou a minuta de um memorando de entendimento e se comprometeu a encaminhar, até o dia 30, a lista de produtos que deseja importar. Até 31 de dezembro, o Badesul buscará os principais fornecedores para ver quais estão interessados em vender para Cuba.
O ex-secretário da Agricultura Hermeto Hoffmann, diretor do BRDE, foi um dos principais articuladores da missão gaúcha a Cuba. E comemorou a encomenda de 20 contêineres de frango congelado, a ser entregue em janeiro.









