Os colegas de trabalho Carlos André Costa dos Reis, 24 anos, e José Pereira dos Santos, 34 anos, levantaram cedo, como de costume, na manhã de quinta-feira, pois sabiam que teriam de encarar a estrada pela quinta vez nesta semana.
Os dois maranhenses, que moram em Garuva há oito meses, estão construindo a mureta que separa as pistas na BR-376 em São José dos Pinhais (PR), à serviço da Autopista Litoral Sul.
Os dois, junto com outros quatro colegas, percorreram os 80 km rotineiros até chegar à Região Metropolitana de Curitiba, por volta das 9 horas. Após uma manhã tranquila de trabalho, o grupo começou a se preparar para voltar ao meio-dia. Embarcaram no caminhão da concessionária e no trajeto de volta alternavam momentos de silêncio com outros de conversa descontraída.
Após uma hora de viagem, o grupo se deparou com uma fila na altura do Km 667, onde ficou parado por cerca de cinco minutos, até que um dos colegas franziu a testa, levou as mãos à cabeça e soltou a expressão “vixi!”
— Eu pensei que era molecagem dele, mas foi só ele falar que aconteceu —, conta Carlos, ainda assustado.
No momento seguinte ao forte estampido da segunda batida, que fez todos sacudirem dentro da cabine, Carlos e José ficaram preocupados com o colega Eduardo dos Santos Conceição, 29 anos, que estava desacordado.
— Eu o vi com os olhos abertos, mas desacordado e cheio de sangue. Aí, eu fui ajudar José a tirar ele de lá para não ficar perto do carro que estava pegando fogo —, lembra Carlos.
José conta que no momento que deixou o caminhão sentia o corpo tremer.
— A gente pensava que iria morrer —, disse, com ar de alívio, mas com os olhos se enchendo d’água.
Os dois foram trazidos em uma ambulância da Autopista para o Hospital São José, para onde também foi levado Eduardo, no helicóptero Águia da PM. Carlos e José foram avaliados e, em seguida, liberados, já que sofreram apenas escoriações. Eduardo permanece internado, mas o estado de saúde é considerado bom pela equipe médica e ele não corre risco de morte.
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