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Visita de Ecclestone22/11/2012 | 06h43

Alex Murad acredita no potencial de Santa Catarina para trazer o circo da F-1

Empresário que tornar realidade um sonho do pai, Sergio Murad, fundador do Beto Carrero World

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Alex Murad acredita no potencial de Santa Catarina para trazer o circo da F-1 Flávio Neves / Agência RBS/
Alex admite que o investimento é alto e não estipula datas Foto: Flávio Neves / Agência RBS
Cristiano Rigo Dalcin

cristiano.dalcin@diario.com.br

Santa Catarina ainda não tem um autódromo e o empresário Alex Murad está disposto a tirar do papel mais um dos sonhos de seu pai, o empresário Sergio Murad, fundador do maior parque temático da América Latina. Para o presidente do Beto Carrero World, o primeiro passo é acreditar no potencial do Estado.

A construção do autódromo é um sonho antigo, acalentado pelo pai de Alex, e incentivado pelo amigo Aurélio Batista Félix, o criador da Fórmula Truck. Máquinas para a terraplanagem de uma área de 150 hectares já estavam no parque, em 2008, quando os planos foram suspensos.

— Era um sonho do meu pai a longo prazo, mas ele morreu e uns 30 dias depois o Aurélio veio a falecer e tudo foi foi interrompido — conta Alex.

De acordo com o empresário, o autódromo voltou a fazer parte dos planos a partir do sucesso de uma das 100 atrações do parque, o Extreme Show, onde pilotos treinados fazem acrobacias em carros preparados, inspirado no Light, Motors, Action, da Disney's Hollywood Studios.

— O público gosta muito dessa atração e está sempre lotado — relata.

O projeto do autódromo já fazia parte do complexo automobilístico desenhado pelo projetista alemão Hermann Tilke, que incluia a pista de kart, já construída, e a área para o circuito de motocross, que ganhou o design especializado do inglês Justin Barclay.

Com um projeto que atende requisitos da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), o presidente do Beto Carrero World acredita que pode trazer o circo da Fórmula-1 e outras categorias para Penha no futuro.

Alex admite que o investimento é alto e não estipula datas, mas entende que o potencial de Santa Catarina e os benefícios gerados pela principal categoria do automobilismo mundial podem convergir a favor do empreendimento.

— O autódromo pode ser uma bela ferramenta de divulgação para o Estado, que há seis anos é eleito como melhor destino turístico no Brasil — explica.

Se alguém ainda dúvida da disposição do jovem empresário e do sonho de Santa Catarina sediar um Grande Prêmio de Fórmula 1, Alex lembra da trajetória do pai:

— Quando meu pai quis construir o parque, chamaram ele de maluco. Hoje, já estamos em funcionamento há 21 anos, e temos contratos com parceiros poderosos como a Universal Studios e a Dreamworks.

Confira abaixo um bate-papo com Alex Murad: 

Diário Catarinense_  A visita do Bernie Ecclestone foi inspiradora?

Alex Murad —
Foi excelente. Ele estava acompanhado da mulher dele, que inclusive é brasileira e já conhecia a região. Ela ficou impressionada com o crescimento de Balneário Camboriú. E ele gostou muito do projeto que foi desenhado pelo Tilke, o "Oscar Niemeyer" das pistas, responsável por esses novos circuitos, como Cingapura, Dubai e Bahrein.

DC — A visita dele não teve um papel de barganha junto à organização do GP Brasil em São Paulo, que enfrenta problemas para renovação de contrato?

Alex Murad — Não. Ele acabou de vir dos Estados Unidos, onde inaugurou mais uma pista do Hermann Tilke e usou o único dia que tinha livre para vir para cá. Ele também não está mais nessa fase. O pessoal de Dubai procura ele se quiser uma prova.

DC — Qual o custo do autódromo?

Alex Murad
— O investimento é alto e a longo prazo. O autódromo tem 4.500 metros de extensão. Tem um retão de 850 metros, e curvas cegas com subidas e descidas, que passam pelo Morro do Casarão, onde meu pai tinha uma casa. Uma das curvas é de alta velocidade e tem inclinação, parecido com os ovais americanos. Foi projetada para um carro de F-1 chegar aos 290 quilômetros.

DC — Além da localização das  arquibancadas, ele deu algum outra sugestão?

Alex Murad — Ele quer mais gente no autódromo. O nosso terá capacidade para 100 mil pessoas sentadas. O circuito de Interlagos é interessante, mas são 70 mil em dois dias. 

DC— E o papel do governo do Estado seria atrair a iniciativa privada para o empreendimento?

Alex Murad — Sim, mas eu acredito muito nas duas iniciativas, a privada e a pública.

DC _Você é daqueles que acompanha a Fórmula-1?

Alex Murad — Sim, acordo na madrugada se for preciso.

DC— E neste fim de semana você estará em São Paulo para acompanhar o GP Brasil?

Alex Murad_ Imagina, claro que sim.

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