A ata de uma reunião de gerentes e diretores envolvidos nas obras de ampliação do trensurb até Novo Hamburgo confirma que a operação comercial das duas novas estações poderia ter começado há mais de um mês.
O documento de 18 de maio, ao qual ZH teve acesso com exclusividade, revela que a Superintendência de Desenvolvimento e Expansão da Trensurb dava como encerrada a fase de testes.
A operação comercial iniciaria depois da inauguração oficial, prevista para 21 de maio, com a presença da presidente Dilma Rousseff. Funcionários do órgão ligados aos testes confirmam que o trem já poderia estar operando plenamente, mas a greve dos metroviários, o cancelamento da agenda da presidente no Estado e até mesmo a realização da Rio+20 foram alguns dos fatores que levaram a direção a adiar a operação.
O anúncio de que a presidente passaria pelo Estado fez com que a empresa avisasse internamente sobre o começo da venda de bilhetes.
– O cronograma deles previa que tudo já estivesse funcionando – afirma o assistente de manutenção da Trensurb Alessandro Pinto Batista.
Presidente da Trensurb, Humberto Kasper admite que a autarquia chegou a avaliar a possibilidade de uma operação comercial imediata, mas diz que houve mudança de planos:
– Após algumas discussões, optamos por fazer a operação experimental branca como acontece em todas as outras linhas recém-construídas. Foi uma forma de garantir que tudo estaria funcionando.
Até ontem, o serviço nas duas novas estações, em São Leopoldo e em Novo Hamburgo, continuava em caráter experimental, sem a cobrança de tarifas, mas sem atender horários de pico.
Operação experimental já passa de 30 dias
Depois de mais de 30 dias de operação experimental – questionada pelo Ministério Público Federal – a Trensurb pode anunciar hoje uma data para iniciar a venda de bilhetes nas estações Rio dos Sinos (em São Leopoldo) e Santo Afonso (em Novo Hamburgo). Segundo a presidência da empresa, é possível que o início comercial ocorra entre esta e a próxima semana.
A Trensurb alega que os 30 dias de testes são importantes para o funcionamento do trecho. Funcionários da autarquia, ouvidos por ZH, confirmam que a empresa está fazendo ajustes no trecho. O que eles contestam é a necessidade de o trabalho ser realizado sem que o trem opere normalmente. Alegam que os ajustes finos poderiam ocorrer nas madrugadas, período em que serviços de manutenção funcionam normalmente, ou durante o dia, em horários de menor movimento.
O presidente da Trensurb sustenta a necessidade de testar os sistemas das novas estações, após ajustes realizados pela construtora.
– Nossa equipe técnica é experiente, e estamos fazendo de tudo para que as coisas aconteçam da forma mais tranquila possível – afirma Humberto Kasper.









