As montanhas do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro ficaram escondidas pela fumaça cinza e preta que se formou sobre a Baixada do Massiambu, em Palhoça (SC), em um dos maiores incêndios no parque, com prejuízos para a fauna, a flora e transtornos no trânsito. O cenário foi de devastação nesta quarta-feira na maior unidade de conservação de Santa Catarina.
Entre 70 e cem hectares — o equivalente a entre 70 e cem campos de futebol — de mata nativa ficaram queimados. Os animais que não conseguiram fugir morreram carbonizados. Parte da Estrada Geral da Pinheira (SC-433), em Palhoça, precisou ser interditada por conta da fumaça.
O incêndio começou na terça-feira à noite e, segundo a Fundação do Meio Ambiente, administradora do parque, foi controlado às 21h desta quarta. O combate ao fogo começou pela manhã, com a ajuda de um helicóptero e cerca de cem homens, em revezamento.
Além de bombeiros, equipes da Defesa Civil Estadual, da Polícia Ambiental e voluntários treinados ajudaram no combate às chamas. Por volta das 16h, um comando de gerenciamento de crise foi montado na sede da 7ª Companhia de Polícia Militar Ambiental, localizada dentro do parque. A expectativa é de que os dois últimos focos sejam apagados nesta madrugada, caso não mudasse o vento.
Uma das suspeitas é de que a causa do incêndio tenha sido criminosa. Os bombeiros receberam a informação de que dois homens sem camisa, em uma moto, teriam ateado fogo em uma determinada área da Baixada.
— Isso faz sentido porque os focos estão múltiplos e em locais distintos —observou o comandante de área do 10º Batalhão de Bombeiro Militar de São José, tenente Anderson Sarte.
Relatório sobre danos nesta quinta
Até as 23h, as equipes que trabalhavam no parque não sabiam informar quantas espécies de plantas e animais haviam morrido. A área conta com rios, córregos e nascentes importantes. Um relatório deve ser divulgado nesta quinta pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fatma).
Na quarta, uma das hipóteses cogitadas era de que a região pode ter perdido um dos seus maiores símbolos: o gato-do-mato. Semelhante à jaguatirica, o animal se distingue pelo tamanho. Ele é o menor dos felinos silvestres brasileiros e está ameaçado de extinção.
A técnica administrativa do parque, Morgana Eltz, disse que a área queimada é quase irrecuperável e que os animais que não conseguiram fugir morreram. Entre eles podem estar diversas cobras, pequenos roedores, aves, milhares de insetos e possivelmente o gato-do-mato.
— Foi um incêndio que causará terríveis danos ao ambiente. A área é muito importante para a biodiversidade porque preserva banhado e animais — diz.
No Parque da Serra do Tabuleiro, o ecossistema também é formado por mata de araucária, restingas e trilhas ecológicas para educação ambiental. Entre os animais nativos estão a anta, capivara, o marreco selvagem, ema, jabuti, veado, arara, sagui e tucanos.
Há seis anos no Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, o tenente Fernando Ireno Vieira já ajudou a combater chamas duas vezes no Parque da Serra do Tabuleiro. Segundo ele, a área é densa, de difícil acesso e de alto risco para os bombeiros. Ele explica que em razão do vento e das características do parque as chamas se alastram rapidamente. Muitas vezes mesmo com o uso da água ou de toda a equipe disponível não se consegue conter o fogo.













