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Em xeque14/02/2012 | 03h21

Segunda fuga em sete meses expõe fragilidade da segurança na Pasc

No domingo, detento trocou de lugar com o irmão dentro da cadeia sem ninguém perceber

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Segunda fuga em sete meses expõe fragilidade da segurança na Pasc Lauro Alves/Agencia RBS
Fuga de Michel Bonotto (esquerda) derruba quatro meses de investigações por assalto a banco Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

Ao trocar de lugar com o irmão que o visitava no domingo, o ladrão de bancos Michel Bonotto, 31 anos, expôs a fragilidade da cadeia que abriga os presos mais perigosos do Rio Grande do Sul, a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc).

Não há superlotação. As 288 vagas da Pasc são ocupadas por 230 presos, controlados por 140 agentes. Mesmo com um moderno detector de metal à disposição, celulares são usados para comandar quadrilhas à distância.

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— No mínimo, o que se passa lá é incompetência, mas não posso descartar a corrupção. Não se pode admitir, em penitenciária de segurança máxima, visitas nas próprias celas — avalia o juiz substituto da Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre, Alexandre de Souza Costa Pacheco.

Para o promotor de Justiça Luciano Pretto, da Promotoria Especializada de Controle e Execução Criminal, concessões como as visitas de familiares nas celas decorrem da incapacidade de o Estado controlar o interior dos presídios. Para ele, faltam “equipamentos, pessoas e treinamento”.

A Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) determinou a intervenção da Pasc. Foram afastados temporariamente o diretor da cadeia, Renato Gomes de Oliveira, e o chefe da segurança, Juliano Vargas, e aberta uma sindicância.

Em circunstâncias ainda não esclarecidas, Michel passou sem ser reconhecido por cinco postos de controle. Ele fugiu pela porta da frente como se fosse o irmão, Richely, 29 anos e 20 centímetros mais baixo.

Descoberto na cela do irmão mais velho, Richely alegou ter adormecido e acordado com o cabelo raspado. Na verdade, emprestara uma peruca ao irmão apenado. Conforme o superintendente em exercício da Susepe, Mário Pelz, a “falha mais grave” foi Michel não ter passado pelo equipamento biométrico que analisa impressões digitais dos visitantes na entrada e na saída da Pasc.

Três corregedores da Susepe foram designados para esclarecer o episódio. Segundo Pelz, apurações preliminares descartam a conivência de agentes. A hipótese mais provável seria “erros de procedimento”. A fuga de Michel joga por terra quatro meses de investigação. Entre agosto e dezembro passados, ele foi caçado pela suspeita de assaltos a bancos no Litoral Norte.

— A decepção e a revolta são grandes pelo trabalho perdido — comentou um agente da Delegacia de Repressão a Roubos do Departamento Estadual de Investigações Criminais, que pediu para ter o nome preservado.

Procurado por ZH, o secretário da Segurança Pública, Airton Michels, silenciou. Por meio de assessoria, informou que o assunto seria tratado pela Susepe. Em junho, quando Sandro Alexandre de Paula serrou uma grade e fugiu da Pasc (ele seria recapturado no dia seguinte), Michels admitiu falhas e declarou que o episódio mais parecia “de uma delegacia de polícia da metade do século passado”.

Comentar esta matéria Comentários (11)

Fabiano

Pois é pessoal pelo que vejo a susepe tem cada vez menos forças pois quando o preso chega na cadeia já está com celular de ultima geração falando livremente com o mundo aqui fora se cortacem somente a comunicação deles já resolveria 80 % do problema

15/02/2012 | 13h31 Denunciar

Karmelo Jarbá

Sou Ag Penit há 15 anos, e concordo com o Flavio R V.Trabalhei na pasc e ela tem estrutura, porém toda a parte que diz respeito a tecnologia é inexistente.salas de controle que nunca funcionaram.Sistema de vídeo monitoramento ultrapassado.Pouco efetivo funcional.E nós somos sempre taxados de incompetentes!

14/02/2012 | 23h30 Denunciar

Flavio R V

Sou Ag Penit a mais de 12 anos.Já trabalhei na PASC.Sua estrutura e sistema são ultrapassados.Não existe lugar próprio para visitas.A identificação e revista das visitas é precário.Do total de sistema de câmeras apenas 1/3 funcionam.Lixo e ratos se proliferam.Brincamos de segurança e eles de presos

14/02/2012 | 14h14 Denunciar

sandro

Engraçado ler uma noticia desta, em plena era digital quando eu uso qualquer onibus de linha em minha cidade que faz a leitura de minha impressão digital e uma penitenciaria não possuir este sistema, é de se perguntar porque ainda não foi implantado este tipo de sistema. Os interesses existem.

14/02/2012 | 11h51 Denunciar

Milton Munaro

São consequências da proteção que os criminosos têm, como no caso Battisti, no caso do mensalão, na negociação de sentenças. Se não vier de cima, não haverá solução.

14/02/2012 | 09h35 Denunciar

freitapuro

Se o irmão o presidiário gosta tanto de ficar fechado e se eu fosse juiz deixava o falcatrua uns oito anos preso lá,daí quando o irmão voltar vão poder dividir a cela e a comida juntos...aposto que logo volta,pois como não aprendeu a trabalhar logo vai começar a passar fome,ou pedir.Há ele é ladrão.

14/02/2012 | 08h41 Denunciar

Newton

Essa gente da Susepe está de brincadeira, não é possível acreditar que tal coisa tenha ocorrido.

14/02/2012 | 08h41 Denunciar

P@ulo

Esse pessoal poderia fazer como Battisti, fazendo o caminho inverso e fugir para a Itália e alegar perseguição política.

14/02/2012 | 08h40 Denunciar

luciano

e muitos ainda falam que não adianta prender que juizes soltam, oagente que deixou o detento sair é quem deveria ficar trancafiado

14/02/2012 | 07h56 Denunciar

Paulo César Dalbosco

Parece brincadeira com o povo q Q torce por justiça e q é sempre falha piada !!!!

14/02/2012 | 07h53 Denunciar

Irineu

Essa é de país subdesenvolvido mesmo onde impera antes da corrupção, a incompetência.Se adotassem 10% dos procedimentos dos presídios dos EUA, por exemplo, já se diminuiria muito esse tipo de trapalhada ridícula...

14/02/2012 | 06h02 Denunciar

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