Versão mobile

Reforço na convivência18/02/2012 | 17h10

Para facilitar vida social, amigos investem em casas ou lotes próximos em condomínios no Litoral

Espaços se tornaram refúgio para a confraternização

Enviar para um amigo
Para facilitar vida social, amigos investem em casas ou lotes próximos em condomínios no Litoral Mauro Vieira/Agencia RBS
Depois de encontrar a tranquilidade em condomínio em Xangri-lá protegido por sistemas de segurança, Salus Finkelstein convenceu parentes e conhecidos a investir no mesmo projeto Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS

Com a vida cada vez mais atribulada das grandes cidades, onde o trânsito caótico, as grandes distâncias e os compromissos profissionais dificultam a convivência social, os condomínios horizontais do Litoral Norte se tornaram um refúgio para a confraternização familiar e de grupos de amigos. Na tentativa de recuperar a proximidade, pelo menos nos fins de semana ou nas férias, parentes e integrantes do mesmo núcleo compram lotes próximos ou casas no mesmo empreendimento para se encontrar com mais frequência.

A promessa de segurança e a oferta de infraestrutura de lazer e espaço também seduzem quem busca um lote ou casa em um condomínio fechado. A tentativa de tornar a praia uma extensão da vida familiar e um local para rever amigos é capaz até de dar maior velocidade às vendas de um empreendimento, diz o presidente da Associação dos Corretores de Imóveis e Imobiliárias de Capão da Canoa (Acica), Wilson Nunes. A existência da ligação afetiva tem o poder de definir uma aquisição em determinado empreendimento, mesmo que o comprador encontre condições de compra mais favoráveis em outro condomínio.

– Ter conhecidos, amigos e familiares no condomínio influencia bastante. Isso até acelera as vendas. Mesmo crianças que têm os seus coleguinhas em determinado empreendimento querem estar juntas – atesta Nunes.

Para José Nazareno Teixeira, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS) no Litoral Norte, a proliferação dos condomínios horizontais trouxe de volta para as praias os veranistas gaúchos de maior poder aquisitivo que antes optavam por Santa Catarina e até pelo balneário de Punta del Este, no Uruguai. Segundo Teixeira, o reflexo deste movimento vai além do mercado imobiliário.

– Isso movimenta toda a economia. As pessoas têm de ir ao supermercado, fazer compras, colocar gasolina no carro. Mudou o panorama da região – sustenta Teixeira, também morador de um condomínio de casas.

Apenas em Xangri-lá, município que ficou conhecido como a capital dos condomínios, existem 26 empreendimentos do gênero concluídos. E outros 17 estão a caminho. Conforme a prefeitura, os projetos ganharam impulso a partir de 2005, quando uma lei municipal criou uma regulamentação para os investimentos. Além da vizinha Capão da Canoa, os condomínios horizontais começam a se espalhar pelos demais municípios do Litoral Norte.

– Há alguns anos ouvíamos que não havia mais espaço para condomínios horizontais. Mas parece que há, principalmente em outras praias, de Torres a Tramandaí – diz Teixeira.

Grupo familiar volta a se reunir

Frequentador dos verões de Capão da Canoa desde 1944, o arquiteto Salus Finkelstein, 74 anos, reencontrou em um condomínio horizontal a tranquilidade perdida há décadas na zona central da sua praia. Aos poucos, viu o grupo de amigos que tinha casas próximas a sua se espalhar, afastados pela pressão da especulação imobiliária nas áreas mais próximas da areia e pela construção de edifícios à beira-mar.

– Era um grupo de 40 amigos que se diluiu – recorda Finkelstein.

A forma de se proteger, diz, foi entrar na onda dos condomínios fechados, onde começa a se reorganizar um núcleo familiar. Convencido de que era a saída para recuperar a paz, Finkelstein decidiu adquirir um lote no Ventura Club, em Xangri-lá, onde construiu uma casa confortável e passa o primeiro veraneio. Protegido por muros e sistemas de segurança, deixou de ter receio de roubos e assaltos. Sumiram as preocupações com os passeios de bicicletas das crianças. E a chance de ter um espigão como vizinho passou a ser zero. A decisão foi acompanhada por um irmão e um amigo, e o número de familiares ao redor, aos poucos, vai crescendo. O genro do irmão também ergueu uma casa. Os pais do genro do irmão fizeram o mesmo, e agora é um cunhado do irmão que vai construir.

– Éramos apenas dois irmãos, e agora somos um grupo de 20 pessoas – calcula Finkelstein, que saúda a reunião da turma para churrascos e até uma boa farofada na praia.

Comentar esta matéria Comentários (2)

Claudio Fernandez

Este tipo de condomínio é HORIZONTAL? Não seria VERTICAL?

19/02/2012 | 02h32 Denunciar

jose

Pois os condomínios do litoral norte, já estão com os dias contados, basta a BR-101 ficar concluída, que grande parte destes moradores irão trocar o horror, a sujeira e a exploração das praias gauchas, pela tranquilidade, beleza e limpeza do litoral catarinense. E com a BR-101 duplicada, será rapido

19/02/2012 | 00h19 Denunciar

Siga perfis de ZH no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros