Um ano é tempo suficiente para o joanete se agravar. O desvio anormal do grande dedo do pé (dedão) incomoda tanto que, durante a caminhada, o peso do corpo recai sobre os outros dedos, provocando uma lesão no ligamento, que pode levar à cirurgia.
Intrigado com a dificuldade para corrigir a patologia associada ao joanete, o ortopedista mineiro Daniel Baumfeld, integrante da equipe médica do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, aprimorou um procedimento chamado de reconstrução da placa plantar, que promete devolver vida normal ao dedo sobrecarregado. Em três anos, foram operados 72 pés no Brasil.
A nova técnica é resultado de um estudo que Baumfeld começou a desenvolver em 2009, em São Paulo, com o ortopedista Caio Nery, da Escola Paulista de Medicina.
— Observávamos que era possível acabar com a calosidade da planta do pé, mas nos intrigava muito o fato de a correção nunca ser satisfatória. O dedo ficava solto ou continuava elevado, raspando no calçado, e não encostava no chão — explica o mineiro.
Com a pesquisa, o trio de ortopedistas conseguiu fazer com que os pacientes voltassem a pressionar o solo com o dedo que recebia excesso de carga. Os resultados, que já foram publicados em duas revistas norte-americanas, mostram que, em 80% dos casos, o procedimento é usado para corrigir o segundo dedo, mas o problema que surge em consequência do joanete também afeta o terceiro e o quarto dedos.
A reconstrução da placa plantar é realizada no mesmo procedimento para corrigir o joanete. Depois de cortar o osso do dedão e realinhá-lo, os médicos reconstroem o ligamento que fica na sola do pé. Por meio de uma artroscopia, método minimamente invasivo, avalia-se a extensão do problema. Se a lesão for leve, não é necessário fazer corte, pois tudo é feito no espaço por onde passa a câmera. O cirurgião vai apenas enrugar o ligamento para estimular a cicatrização. Em grau moderado, a pele é aberta em dois pontos para que seja possível reconstruir a estrutura. A técnica só não funciona quando a placa plantar está gravemente lesionada.
— A patologia dura tanto tempo que não conseguimos recuperar o ligamento. Como ele está destruído, não existe mais tecido para colocar no lugar, então temos que fazer algumas transferências, como pegar tendão de um lugar e usá-lo no dedo com a lesão — destaca Baumfeld.
Nem sempre o joanete é caso cirúrgico. O ortopedista só recomenda o procedimento para pacientes que têm dificuldade para andar, sentem muita dor e não conseguem usar sapatos. Muitos reclamam de inflamação do joanete, que nada mais é do que uma bursite.
— A proeminência começa a ter atrito com o calçado e ocorre uma inflamação da bursa, cápsula com líquido que protege a articulação para evitar o contato de osso com osso — esclarece.
Baumfeld também descarta a cirurgia por estética, a não ser que seja uma deformidade muito grosseira.
—Você vai trocar um pequeno defeito estético por uma cicatriz — ressalta.













