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Atropelamento coletivo21/02/2012 | 08h53

Motorista que atropelou 17 pessoas em Quintão deverá ser indiciado por lesão corporal culposa

Caso ocorreu na madrugada desta terça-feira; condutor alegou legítima defesa

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Motorista que atropelou 17 pessoas em Quintão deverá ser indiciado por lesão corporal culposa Mauro Vieira/Agencia RBS
Veículo envolvido no atropelamento coletivo foi apreendido e passará por perícia Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS

O jovem que atropelou 17 pessoas na madrugada desta terça-feira na Avenida Esparta, a principal de Balneário Quintão, no Litoral Norte, será indiciado inicialmente por lesão corporal culposa (sem intenção). A informação é do delegado plantonista Amilcar Souza Neto, da Delegacia de Polícia (DP) de Cidreira.

Em depoimento na delegacia, realizado instantes após o incidente, Gilberto Luiz Pelizzer Junior, 18 anos, alegou que foi cercado por uma multidão insatisfeita com o volume alto do som de seu veículo. Temendo ser agredido, teria decidido acelerar o carro.

— Ele disse que entrou em pânico e acabou atropelando as pessoas — resumiu o delegado.

O jovem falou ainda que estava sozinho dentro do carro e negou que tiros tenham sido disparados de dentro do seu veículo.

Como o rapaz se recusou a realizar o teste do bafômetro, ele foi levado ao posto médico de Balneário Pinhal, onde passou por exame clínico. Segundo o delegado, médicos responsáveis pelo exame informaram não haver sinais de embriaguez.

— A ideia inicial é indiciar o jovem por lesão corporal culposa (sem intenção). Mas não há prejuízo de futuramente alterar o enquadramento — complementa o delegado.

O caso foi registrado por volta das 3h. No atropelamento coletivo, a adolescente Bianca Ribeiro da Costa, de 15 anos, ficou gravemente ferida e foi transferida com lesões na cabeça para hospital em Tramandaí. Outras sete vítimas foram levadas para hospital em Osório.

O motorista da Ecosport teria sido alvo de protesto em razão do som alto de seu veículo. Também há informação de que ele teria invadido trecho da avenida que estava interditado para festas de Carnaval. Foliões teriam utilizado spray de espuma para alertar o motorista.

Conforme Marcelo Rodrigues Witt, 40 anos, que testemunhou o incidente, o condutor da Ecosport teria ficado irritado quando foliões deram tapas no carro.

— Ele ameaçou abrir a porta, fez menção de descer, mas decidiu acelerar. Foi levando todas as pessoas que estavam pela frente — disse Witt, que teve cinco familiares feridos.

De acordo com outra testemunha, Isaac Nogueira, 31 anos, o motorista só parou quando o corpo de uma jovem o impediu de prosseguir.

— Parecia aquele cara que atropelou os ciclistas em Porto Alegre — relatou Nogueira, referindo-se a Ricardo Neis, que virou notícia internacional ao atropelar integrantes da Massa Crítica em 25 de fevereiro de 2011.

Antes de fugir, um passageiro que estava na carona do Ecosport, teria sacado uma arma e atirado quatro vezes para o alto. Essa informação foi negada pelo atropelador.

As vítimas foram levadas inicialmente ao pronto atendimento de Quintão. Segundo o enfermeiro que participou dos primeiros atendimentos, o quadro era assustador.

— Havia pacientes com multiplas fraturas, escoriações, deformações na face, lesões com exposições ósseas e pelo menos uma vítima com suspeita de lesão cervical — disse o enfermeiro Rodrigo Haendchen.

Após fugir, o Ecosport foi seguido por um taxista, que indicou a localização à polícia. Em uma residência, Gilberto Luiz Pellizzer Junior acabou detido.

Segundo o delegado Amilcar Souza Neto, ele alegou legítima defesa.

— Ele alega que foi cercado por indivíduos que queriam agredi-lo e no intuito de fugir da multidão acabou atropelando essas pessoas — disse o delegado.

O veículo foi apreendido para perícia. O rapaz  deve responder em liberdade.

Veja a lista de vítimas:

Hospital de Tramandaí

— Bianca Ribeiro da Costa, 15 anos, estado grave.

Hospital de Osório

— Carine Souza da Silva, de 22 anos
— Alice Antônia Muniz, de 17 anos
— Luana Padilha Figueiredo, 15 anos
— Karolin Silva Bárbara, 19 anos
— Caison Fernando Rosa Goularte, 13 anos
— Katerlin Niederauer Bertolini, 13 anos
— Alexsandro Silva da Silva, 35 anos

Liberados

— Emily Tamires, 22 anos
— Vinicius Kissler, 19 anos
— Richard Niederauer, 16 anos
— Aldemir Campina Dias, 31anos
— Cristiano Lopes da Silva, 25 anos
— Allan Artênio Rinaldi, 16 anos
— Sérgio Marques, 26 anos
— Micael Augusto Correia 17 anos
— Rosa Goularte, 13 anos

Semelhança com atropelamento de ciclistas na Capital:

No dia 25 de fevereiro de 2011, o bancário Ricardo Neis atropelou um grupo de ciclistas no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. O incidente deixou 15 feridos. As vítimas integravam o movimento Massa Crítica, que defende o uso da bicicleta como meio de transporte.

Depois de preso, o motorista alegou que se sentiu ameaçado pelo ciclistas e acabou arrancando o veículo. O filho de Neis, que também estava no carro, alegou que os integrantes do movimento começaram a bater no carro.

Os ciclistas negaram as ameaças e agressões. O episódio foi amplamente divulgado em redes sociais e sites de vídeos na internet, com imagens do momento exato do atropelamento coletivo dos ciclistas. O episódio ganhou repercussão internacional.

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Comentar esta matéria Comentários (16)

JORGE LUIS

Lendo os comentários aqui dá para ver gente ignorante que se acha, acusadores de internet. O Cerli só está falando do perigo p/ o pedestre, não vi o cara defender o atropelador, leiam e respondam se tiverem discernimento do que leu.

24/02/2012 | 12h32 Denunciar

juarez honorato

Cerli. Antes de escrever um comentario, procure conhecer bem a lei. Pra evcitar escrever tolices. Ou voce é amiga(o) do atropelador?

23/02/2012 | 15h46 Denunciar

Cerli

Guilherme, é justamente isso que comentei, que o governo e a mídia tratam o assunto de maneira errada. É preciso educar todos, inclusive pedestres, sobre o perigo do transito. Mas porque o pedestre que é a parte mais fraca não pode, ou deve, cuidar de si mesmo acima de qualquer coisa?

22/02/2012 | 10h07 Denunciar

Cerli

Fabricio Adriano, dar a volta na quadra ou desviar até da cidade, custa o mesmo que fazer a festa na calçada, custa o mesmo que respeitar o transito, mas custa muito menos que uma vida, com certeza. Mas todo pedestre acha que os motoristas que devem cuidar da sua vida ao invés deles mesmos cuidarem!

22/02/2012 | 10h02 Denunciar

Cerli

Fabricio Adriano, mais outra coisa, seguindo teu raciocínio, como as pessoas sabem que passam carros naquela rua e a mesma á apertada, então posso supor também que quem anda e fica no meio da rua desafiando os carros e motos também está procurando confusão?

22/02/2012 | 09h59 Denunciar

Cerli

Fabricio Adriano, concordo em parte, mas a rua é publica e todo tem direito a usa-la. Outra coisa, quando eu fui lá a há duas semanas eu nunca tinha entrado em Quintão e estava procurando um endereço e só tinham me indicado aquela avenida pra chegar ao meu destino.

22/02/2012 | 09h57 Denunciar

Constantin

Nada vai acontecer ao motorista , pois afinal a chamada Justiça existe para liberar infratores, meliantes e congeneres.

21/02/2012 | 22h02 Denunciar

Miriam

Espero que este acidente sirva de exemplo para que a pref. de Palmares tome alguma atitude. A Av. Esparta é o centro de todos os eventos e comércio da Praia.Por isto o fluxo de pessoas e carros são constantes. É fechado somente um trecho da avenida.Já está na hora de arrumarem uma outra alternativa

21/02/2012 | 17h17 Denunciar

Marco Antonio

O Delegado de pronto comprou a versão do agressor. Lamentável.

21/02/2012 | 16h56 Denunciar

Fabricio Adriano

Entao Cerli continuando e usando as tuas proprias palavras sabe-se que ali é um ponto de dificil circulaçao de veiulos. Entao quem vai lá tá procurando confusao? Custa dar a volta na quadra? Parece que custa muito até porque resolveram passar por cima das pessoas. E tem gente que defende ainda.

21/02/2012 | 16h54 Denunciar

Guilherme

Cerli, voce esta redondamente enganado(a), o Codigo de Transito deixa clara a responsabilidade do motorista em zelar pelos pedestres, ciclistas, motoqueiros e carroceiros.

21/02/2012 | 15h59 Denunciar

juliane hauschild

Quando acontece um caso como este a nossa primeira reação é JULGAR a atitude ou encontrar um único culpado para o acontecido! Antes disso, devemos reconhecer que a sociedade em que vivemos está marcada pelas ameaças entre jovens,e quando um guri se apavora com isso comete um atropelamento.

21/02/2012 | 14h53 Denunciar

Luciana

Este delegado devia voltar para a faculdade... lesão CULPOSA por atropelamento com uma Eco Sport de quase 20 pessoas, pulando Carnaval sem proteção nenhuma? Se não assumiu o risco de matar, no mínimo o atropelador assumiu o risco de machucar, o que caracteriza já lesão dolosa.

21/02/2012 | 12h53 Denunciar

rose

Como alguém que atropela 17 pessoas é liberado? E porque lesão culposa? A partir do momento que ele decidiu acelerar o carro é um crime doloso - ou pelo menos com dolo eventual (já que é trânsito)!

21/02/2012 | 12h08 Denunciar

Cerli

Quaisquer tipos de manisfestações ou eventos, para ocupar as vias publicas, devem ter um forte isolamento de transito, bem como a proteção e autorização da polícia ou orgão competente. Estive em Quintão a duas semanas e é impossível passar nesta rua porque as pessoas ficam no meio da rua e não saem!

21/02/2012 | 11h21 Denunciar

Cerli

As pessoas deviam ser instruidas a respeitar o transito, entender que o meio da rua é para os carros, e para atravessar uma rua é necessário ter certeza que o carro vai parar e que o motorista te viu. Entendam que a faixa de segurança ou um sinaleira não vão salvar a sua vida,mas a sua prudencia sim

21/02/2012 | 11h18 Denunciar

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