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Operação desastrada 23/02/2012 | 22h21Atualizada em 24/02/2012 | 11h32

Delegado gaúcho é denunciado pelo MP por morte de refém em Gravataí

Outros três policiais paranaenses e oito pessoas também foram denunciados por envolvimento no caso

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Um delegado de polícia gaúcho foi denunciado nesta quinta-feira pelo Ministério Público (MP) de Gravataí pela morte de um refém durante o desfecho de um sequestro no município da Região Metropolitana, ocorrido em 21 de dezembro de 2011. O argumento do promotor é de que o policial assumiu o risco de matar o refém. Outras 11 pessoas _ três policiais paranaenses _ também foram denunciadas pelo caso. 

Leonel Fagundes Carivali, delegado da Polícia Civil gaúcha, foi denunciado por homicídio qualificado, uma vez que, na avaliação do MP, teria agido com dolo eventual na morte do refém, quando do "estouro" do cativeiro. A vítima era Lírio Persh, um agricultor do Paraná.

O advogado de Carivali, Ricardo Breier, afirmou que a defesa vai trabalhar com a tese de legítima defesa.

— Como ficou provado no inquérito policial, vou seguir com a tese de legítima defesa e com erro de execução, já que o meu cliente agiu para se proteger quando o sequestrador lhe apontou a arma. Em nenhum momento ele teve a intenção de matar a vítima, justamente por que não o visualizava por causa do vidro escuro do carro.

Sobre o andamento do caso, Breier afirmou que o documento do MP deve ser encaminhado à Justiça e a defesa vai trabalhar para contradizer os argumentos do promotor. Segundo ele, depois da instrução do processo o juiz pode decidir pelo júri popular.

Três policiais paranaenses

Outros dois delegados, Danilo Zarlenga Crispim e Renato Bastos Figueiro, e um investigador, Fábio Lacerda Gusmão, todos da Polícia Civil do Paraná, também foram denunciados.

Ao todo, o MP ofereceu denúncia contra 12 pessoas em virtude do sequestro. Conforme o promotor de Justiça André Luis Dal Molin Flores, oito integrantes de uma quadrilha foram denunciados pela prática dos crimes de formação de quadrilha armada e extorsão mediante sequestro com resultado em morte.

A quadrilha, com integrantes gaúchos e paranaenses, vinha cometendo vários sequestros no Estado, atraindo vítimas do Paraná, com o pretexto de falsa venda de máquinas agrícolas, conforme informou o MP.

Os denunciados são Claudemir Corrêa dos Santos, Fábio Eliandro Kelm Zarbock, Márcio Lourival da Silva e João Rodrigues Ferreira, que se encontram presos, além de outros quatro criminosos que estão soltos e tiveram o nome preservado pelo promotor em virtude do andamento do processo.


Relembre o caso

— Na madrugada do dia 21 de dezembro, o policial militar de folga Ariel da Silva, que circulava de moto em Gravataí, desconfiou de um carro com placas do Paraná parado perto de sua casa. Ao chegar perto do veículo, recebeu uma rajada de metralhadora. Dentro do carro, estavam policiais paranaenses que investigavam um sequestro sem o conhecimento das polícias gaúchas.

— À tarde do mesmo dia, uma segunda equipe paranaense chega a Gravataí. Eles circulavam acompanhados de um carro discreto da Polícia Civil gaúcha à procura do cativeiro. A Brigada Militar não é informada da operação, e uma viatura aborda os investigadores. Neste momento, o veículo dos sequestradores é visto saindo de uma garagem. Na troca de tiros, o delegado gaúcho Leonel Carivali dispara e mata um dos dois reféns, o fazendeiro Lírio Persh.

Comentar esta matéria Comentários (4)

Dilson

Responsável pela morte de refém ou de vítima de bala perdida é SEMPRE quem provocou a ação policial, no caso o sequestrador. Temos que parar de filosofar e tergiversar sobre a lei. Chega de querer saber de onde partiu o projetil: interessa quem provocou a ação policial. Este é o culpado.

24/02/2012 | 09h37 Denunciar

melissa

Vai acabar em pizza.

24/02/2012 | 07h27 Denunciar

luiz fernando

O promotor tem razão em fazer a denúncia contra todos os delegados incluindo o gaúcho que se o vidro do carro era escuro não deveria atirar;isto é oportunidade e habilidade mas verdade seja dito ficaram presos apenas os que não tem o PREVILÉGIO DA JUSTIÇA PÚBLICA(os policiais)

24/02/2012 | 03h27 Denunciar

fabio cunha

para ser caracterizado como dolo eventual, deve ser observado a indiferença quanto ao resultado morte e não o simples fato de assumir o risco, pois se trata de algo inerente a profissão!

24/02/2012 | 00h37 Denunciar

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