Com uma pilha de fotos da filha nas mãos, a dona de casa Eloni Oliveira de Oliveira, 53 anos, desabafa:
– Já se passaram cem dias e eu não tenho nenhuma notícia, nada.
Na verdade, foram 112 dias, exatas 16 semanas, que a filha de Eloni, Cristiane Oliveira de Oliveira, 32 anos, saiu para buscar a filha Gabriela, sete anos, em uma escola da Restinga, na Capital, e nunca mais foi vista.
O caso mobiliza duas equipes da Polícia Civil - da 16ª DP, que atende a região, e da 1ª Delegacia de Homicídios e Desaparecidos (DHD). Bombeiros foram solicitados para mergulhar no açude do terreno da casa da família em construção. Um helicóptero foi contratado pelo marido dela, o bancário Rodrigo Veloso Freitas, 30 anos. E nada.
"Apelo de uma mãe desesperada"
Os cartazes espalhados pelo bairro desapareceram. Para a família, a polícia não mexe mais no caso.
– Nem vou mais lá porque fico com mal-estar. Vejo eles sentados, não estão mais procurando. Quero que o delegado atenda o apelo de uma mãe desesperada – implora Eloni.
Titular da 1ª DHD, o delegado Cleber Lima alega ter feito de tudo:
– Ouvimos mais de 15 pessoas, mais de uma vez, seguimos todos os possíveis caminhos por onde ela pode ter passado ou não e não conseguimos pista alguma.
Até secretário prometeu
Em janeiro, o secretário de Segurança do Estado, Airton Michels, recebeu a família e prometeu empenho.
– Já ouvi deles que tenho mais filhas para cuidar, mas nenhuma substituirá ela – revolta-se a mãe.
Cristiane é a filha mais velha entre as seis mulheres e dois homens. A família telefona todos os dias para o celular dela, sem sucesso. Está sempre na caixa postal. Além deles, quem fica também sem resposta é a pequena Gabriela, sete anos.
– Ontem, o pai dela demorou a chegar e ela perguntou se ele tinha sumido como a mãe – chora Eloni.
ENTENDA O CASO
– Cristiane Oliveira de Oliveira, 32 anos, foi vista pela última vez em 27 de outubro, quando passou na obra da casa nova da família, no Bairro Lajeado, e seguiria de bicicleta até a Restinga, para buscar a filha na escola.
– Na obra, encontrou o pedreiro Rodrigo Silva. Foi ele quem a viu pela última vez. Segundo relato dele aos familiares, Cristiane deu banho no cachorro e disse que buscaria a filha na escola.
– Cristiane vestia camiseta branca, calça preta e boné laranja. Ela trabalhava numa farmácia (estava de licença havia seis meses por tendinite no pulso direito).
Perguntas sem resposta
– Se Cristiane foi morta, onde está o corpo?
– Se foi sequestrada, por que não houve contato?
– Se desapareceu por conta própria, por que não levou a filha ou fez contato com a família?
* Colaborou Eduardo Torres













