Os cerca de 80 animais do Minizoo do Parque Farroupilha (Redenção), em Porto Alegre, devem ser levados nesta segunda-feira para um criadouro em Santa Maria, no centro do Estado.
O transporte deve ser feito por um caminhão Cargo do Criadouro Conservacionista São Braz, confirmou no domingo o seu proprietário, Santos de Jesus Braz da Silva. Segundo ele, os animais têm lugar garantido e tudo está preparado para a chegada.
Leia a entrevista:
Zero Hora — A que horas o caminhão com os animais chega a Santa Maria hoje?
Santos de Jesus Braz da Silva — Não tem hora. A operação começa de manhã.
ZH — O lugar para os animais do Minizoo está garantido?
Braz — Sim. A gente tem uma área ampla, organizada e preparada para recebê-los, localizada a oito quilômetros do centro de Santa Maria. Já contamos com mais de 600 animais.
ZH — O criadouro tem recursos suficientes para manter os animais que vão chegar?
Braz — A prefeitura de Porto Alegre está nos garantindo a alimentação deles por um ano.
ZH — E depois?
Braz — A gente tem 78 empresas que patrocinam o projeto, chamado Adote um Amigo.
ZH — Como será feito o recolhimento dos animais de suas jaulas?
Braz — Não será usado nenhum tipo de equipamento químico. Serão contidos por nossa equipe com redes de captura e transportados em caixas.
ZH — Como será o transporte?
Braz — Temos uma equipe de 16 profissionais que faz a contenção e o transporte. Os animais serão avaliados antes de saírem daí. Estão indo quatro médicos veterinários, biólogos, pessoas que entendem bem do assunto. Oitenta animais, para nós, é pouco. Já fizemos trabalho com mais de 400 animais.
ZH — Vocês já têm experiência com todas as espécies que estão indo para Santa Maria?
Braz — Trabalhamos há mais de 30 anos com animais selvagens.
ZH — É possível visitar esses animais depois?
Braz — A visitação pública é proibida. Temos uma visitação didática para escolas, somente, porque entendemos que os animais não são artistas para serem aplaudidos.
ZH — Os animais estarão melhores aí do que no Minizoo?
Braz — Não vou dizer que sejam inadequadas as condições de hoje do Minizoo, mas certamente vamos oferecer uma condição bem superior.
ZH— Os usuários do parque não estão sendo avisados da operação pela prefeitura. O senhor concorda?
Braz — O que importa, neste momento, é a vida animal. Quanto menos perturbação, melhor.
Para a operação, espera-se guardas municipais para isolar a área e agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) para coordenar o trânsito. Para dar agilidade ao processo, um grupo recolheria os bichos, outro colocaria cada animal em caixas e um terceiro os conduziria até o caminhão.
Deve haver também apoio de funcionários das secretarias municipais dos Direitos Animais (Seda) e do Meio Ambiente (Smam).
Mesmo que já existam detalhes, autoridades não falam sobre o assunto. O prefeito José Fortunati não atendeu aos telefonemas de Zero Hora, domingo. A primeira-dama do município e voluntária da Seda, Regina Becker, recebeu uma ligação da reportagem, pediu para que telefonassem mais tarde porque recebia outro chamado e, ao longo do dia, não voltou a atender.
A prefeitura quer tirar de funcionamento o Minizoo porque considera que os animais sofrem com o barulho, a poluição e a ação de vândalos. A ideia ganhou força este ano, com Regina, que é atuante na defesa dos animais e foi uma das incentivadoras da criação da Seda.
O secretário do Meio Ambiente, Luiz Fernando Záchia, falou com ZH e confirmou que o Minizoo será encerrado esta semana. Ele diz que a medida é de responsabilidade total da Seda.
Sobre o segredo envolvendo a transferência dos bichos, foi categórico:
— Tem de ter silêncio e não ter movimentação por causa dos animais. É uma operação que, logisticamente, não é muito simples.













