Uma operação sigilosa se arma para transportar os cerca de 80 animais do Minizoo do Parque Farroupilha (Redenção), em Porto Alegre, para um criadouro em Santa Maria, no centro do Estado. A ação está prevista para ocorrer ainda nesta segunda-feira, e incluirá um grande aparato logístico.
O transporte deve ser feito por um caminhão Cargo do Criadouro Conservacionista São Braz, confirmou no domingo o seu proprietário, Santos de Jesus Braz da Silva. Deve haver apoio de funcionários das secretarias municipais dos Direitos Animais (Seda) e do Meio Ambiente (Smam).
Espera-se guardas municipais para isolar a área e agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) para coordenar o trânsito. Para dar agilidade ao processo, um grupo recolheria os bichos, outro colocaria cada animal em caixas e um terceiro os conduziria até o caminhão.
Mesmo que já existam detalhes da operação, autoridades não falam sobre o assunto. O prefeito José Fortunati não atendeu aos telefonemas de Zero Hora, domingo. A primeira-dama do município e voluntária da Seda, Regina Becker, recebeu uma ligação da reportagem, pediu para que telefonassem mais tarde porque recebia outro chamado e, ao longo do dia, não voltou a atender.
A prefeitura quer tirar de funcionamento o Minizoo porque considera que os animais sofrem com o barulho, a poluição e a ação de vândalos. A ideia ganhou força este ano, com Regina, que é atuante na defesa dos animais e foi uma das incentivadoras da criação da Seda.
O secretário do Meio Ambiente, Luiz Fernando Záchia, falou com ZH e confirmou que o Minizoo será encerrado esta semana. Ele diz que a medida é de responsabilidade total da Seda. Sobre o segredo envolvendo a transferência dos bichos, foi categórico:
— Tem de ter silêncio e não ter movimentação por causa dos animais. É uma operação que, logisticamente, não é muito simples.
A visitação ao Minizoo foi pequena, na tarde de domingo. Ao lado da mãe, Sabrina Reis da Silva, 26 anos, e com um macaquinho de pelúcia nas mãos, Emily da Silva Araújo, sete anos, tentava uma animada e singela comunicação com os micos-prego.
O assessor de condomínios Ernani Araújo, 43 anos, tinha ciência de que aquele não era um dia qualquer. Ele observava, em silêncio, a filha Beatriz Vargas, cinco anos. A menina olhava arrebatada para uma dupla de urubus na jaula. Os visitantes faziam, possivelmente, sua última visita ao Minizoo Palmira Gobbi, assim batizado em 1984.
— É importante o contato das crianças com os animais em Porto Alegre, sem ter de ir ao zoológico de Sapucaia. Porto Alegre vai ficar triste. Não vou contar para a minha filha.
Também sabedor da mudança, Roberto Jakubaszko, integrante do Conselho dos Usuários do Parque Farroupilha, estava indignado. Ele lamenta não ter havido um debate com a sociedade a respeito. Para esta segunda, Jakubaszko prepara uma ida ao local. Espera poder fazer alguma coisa para impedir o fim do Minizoo.













