O ioga integral é um estilo ainda pouco conhecido no Brasil e, por isso, a professora Wal Nunes foi a Londres, estudar o trabalho de seu criador, o guru Sri Aurobindo. O polêmico mestre espiritual dedicou sua vida a transmitir suas experiências no ioga, trazendo para a realidade seus insights durante a meditação, capazes de atingir o grau de consciência supramental, que seria a consciência-verdade, na qual se integram o corpo e o espírito.
A dedicação de Sri resultou na criação do ioga integral, que se trata do estudo e prática aprofundados da unificação dos princípios das diversas linhas de ioga. A supramente, segundo ele, se daria quando o objetivo final do ioga deixa de ser idealizado e passa a ser consciente.
— Muitos iogues se dedicam à prática excessiva do badalado hot ioga ou no fanatismo com a prática excessiva de bakti yoga, que é pura devoção e espiritualidade — diz Wal, defendendo a medida entre esses universos para integrar o ioga na vida diária.
— Alguns tentam explicar o estado meditativo: filósofos, religiosos, iogues e iluminados. Na verdade, um número muito pequeno de pessoas consegue entender realmente o assunto e raros são os que vivenciam esse estado verdadeiramente. Meditar é um momento único de você consigo mesmo, com seu caos inicial. Uma busca pela paz interior, o cessar da mente. Muitos chamam esse estado de Deus, de ser divino. Eu o chamo, simplesmente, de estado de presença — afirma.
Através de seu trabalho, Wal mostra que o ioga integral vai além de filosofia de vida. De acordo com ela, ele pode ser definido como olhar para si mesmo e enxergar o que incomoda para, a partir daí, buscar um meio que traga paz interior e felicidade, respeitando a harmonia do ser, sem querer moldá-lo. Seria ver a a suposta "divindade" em todas as atividades diárias, viver a entrega com entendimento, deixar a vida fluir.
As aulas de professores que defendem o ioga integral respeitam o todo, adaptando as técnicas de forma sutil e personalizada. Os movimentos têm o objetivo de colocar o aluno à frente dos problemas ou situações do passado que são inconscientemente carregados pela vida toda.
— Ser feliz vai além de se libertar dos problemas, mas encará-los como um desafio e uma chave para a nossa evolução. Para mim isso é ioga integral, isso é viver em harmonia e felicidade — completa Wal.
É por isso que a professora defende que o ioga deve fazer parte da vida de todo ser humano, não como um estilo de vida radical, mas como um meio de viver o aqui e agora.
— Somente assim é possível encontrar essa paz interior, essa combinação de emoções que traz conforto e bem-estar a nossa alma, isso é felicidade. Isso é ioga — finaliza.













