O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, voltou a adiar para até hoje a decisão sobre ficar ou sair do cargo para disputar as eleições de outubro. – Não há decisão tomada. Continuamos conversando, porque é uma decisão de muita responsabilidade – afirmou ontem.
Meirelles se reuniu na terça-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definir seu futuro político. À saída do encontro, disse que Lula pediu que ficasse no BC. Meirelles respondeu que precisava de 24 horas para pensar. Ontem, durante cerimônia de comemoração de 45 anos do Banco Central, falou a jornalistas que interrompeu as negociações sobre seu futuro político para participar do evento e que logo depois deveria retomar as conversas.
Se deixar o BC, Meirelles deve concorrer ao Senado pelo PMDB de Goiás, mas ainda sonha com a possibilidade de ser vice na chapa de Dilma à Presidência. Até as 22h, Meirelles não havia divulgado sua decisão.
Apesar da indecisão de Meirelles, em relação a permanecer ou não no cargo, o BC anunciou ontem outra troca na diretoria. Mário Mesquita deixou a área de Política Econômica depois de três anos na instituição. A saída traz dois desdobramentos importantes para a diretoria do BC, que reúne os responsáveis pelas decisões sobre a taxa básica de juro.
Além de consolidar um perfil menos conservador em relação aos diretores do início da gestão Meirelles, a diretoria será formada somente por funcionários de carreira. Todos saíram dos quadros do BC, com exceção do diretor de Política Monetária, Aldo Mendes, que veio do Banco do Brasil.
Com a saída de Mesquita, substituído por Carlos Hamilton Vasconcelos, que estava na diretoria de Assuntos Internacionais, Meireles se torna o último membro do Comitê de Política Monetária (Copom) vindo do setor bancário.
Até mesmo o novo indicado para a área internacional, Luiz Awazu Pereira da Silva, é funcionário de carreira, do Banco Mundial. Também trabalhou nos ministérios da Fazenda e do Planejamento.












