Versão mobile

13/01/2010 | 09h32

Nova York elege o sal como inimigo

Metrópole americana pretende reduzir em 25% o consumo do produto

Enviar para um amigo

Depois de campanhas bem-sucedidas de combate ao fumo, à obesidade e à gordura trans, a prefeitura de uma das principais cidades do planeta, Nova York, tem um novo alvo na luta pela saúde dos cidadãos: o sal.

Lançada pelo prefeito Michael Bloomberg na segunda-feira, a Iniciativa Nacional para a Redução do Sal – da qual participam também outras cidades, Estados e organizações – pretende cortar em 25% a quantidade do produto usada na comida industrializada e nos restaurantes e lanchonetes até 2014. Segundo a prefeitura da maior metrópole dos EUA, se a meta for alcançada, milhares de mortes prematuras serão evitadas.

Grandes quantidades de sal na alimentação podem elevar a pressão sanguínea, o que aumenta os riscos de infartos e derrames. Os americanos consomem em média 3,4 gramas de sal por dia – bem acima da recomendação da Associação Americana de Cardiologia, inferior a 2,3 gramas. A maior parte desse consumo – 80% – vem de alimentos industrializados e de restaurantes e lanchonetes.

O comissário de Saúde de Nova York, Thomas Farley, diz que 1,5 milhão de nova-iorquinos sofrem de hipertensão:

– Se pudermos reduzir os níveis de cloreto de sódio na comida industrializada e nos restaurantes, daremos às pessoas mais poder de escolha quanto ao sal que consomem, reduzindo o risco de ataques cardíacos e derrames.

Se a campanha de Bloomberg der certo, terá também implicações nacionais, porque a maioria dos fabricantes de alimentos industrializados não teria como fornecer produtos com pouco sal apenas para os consumidores da cidade. Se os empresários aderirem, os alimentos passarão a ter menos cloreto de sódio em todo o país.

A diferença entre a nova campanha e as anteriores é que, agora, a adesão será voluntária. O cigarro foi banido em locais públicos por determinação da prefeitura, assim como a gordura trans nos restaurantes. Desta vez, na luta contra o excesso de sal, restaurantes e empresas do ramo alimentício serão incentivadas a participar.

O anúncio do prefeito tem provocado reações distintas. A Associação de Restaurantes de Nova York e empresas como a PepsiCo – que, além de refrigerantes, produz salgadinhos – apoiaram a ideia. Outras, como a Campbell Soup Company, que fabrica sopas, afirmaram que reduzirão o sal aos poucos, em sintonia com o mercado.

Perigo salgado

::: O sal é consumido pelos adultos em quantidade muito maior do que se deveria. No mundo, 30% dos adultos sofrem de hipertensão.

::: O sal, por causa do sódio, que retém líquido, contribui para o desenvolvimento ou piora da hipertensão ao alterar algumas substâncias e perpetuar o ciclo.

::: Em torno de 95% dos casos de pessoas com pressão alta, não há causa identificada. Deduz-se, assim, que o sal tenha participação importante nisso.

::: O sódio, consumido adequadamente, é importante. Mas já existe nos alimentos, o que faz ser desnecessária a adição de sal à comida.

::: Em termos de hipertensão, o prejuízo à saúde independe do tipo de sal utilizado.


As dicas para reduzir o sal


::: Adicionar apenas uma colher (das de cafezinho) de sal e não manter saleiro na mesa de refeições.

::: Acostumar as crianças com pouco sal, para o paladar delas não exigi-lo.

::: Trocar o sal, no tempero, por pimenta ou alho.

::: Na salada, trocar o sal por azeite de oliva, vinagre ou limão.

::: Para cardíacos, a adição de sal à comida deve ser de 1 ou 2 gramas diários.

::: Para pessoas sem problemas cardíacos, de 3 a 4 gramas diários.

Fonte: Eduardo Keller Saadi, cirurgião cardiovascular, professor de Medicina da UFRGS e presidente da Sociedade Gaúcha de Cirurgia Cardiovascular

The Guardian | Nova York

Siga perfis de ZH no Twitter

  • transitozh

    transitozh

    Trânsito Zero HoraAcidente com 5 carros na Av. Bento, na Capital, congestiona o trânsito no sentido Centro-bairro. Ninguém ficou ferido (via @maurosaraivajr)há 10 minutosRetweet
  • transitozh

    transitozh

    Trânsito Zero HoraRT @prf191rs: Não há mais pontos de congestionamento entre Porto Alegre e São Leopoldo.há 12 minutosRetweet
clicRBS
Nova busca - outros