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31/01/2010 | 02h58

Especialistas comentam drama da demissão nas telas e na vida real

George Clooney vive em filme Amor sem Escalas o funcionário de uma empresa contratada para demitir

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Ryan Bingham, papel de George Clooney no filme Amor sem Escalas, é funcionário de uma empresa contratada para demitir os trabalhadores de outras empresas. Ele percorre os EUA dando a má notícia, com um manual que diz o que o ex-empregado deve fazer para se reerguer. No filme, as reações de quem perde o emprego são dramáticas. Zero Hora convidou Kátia Ackermann, consultora da empresa Produtive, especializada em outplacement, Ligia Nery da Silveira, vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RS), e Fábio Irigoite, gerente-geral do Lindoia Shopping, para comentarem o filme e o drama da demissão.

Realidade e ficção

O Brasil já tem empresas especializadas em outplacement e transição de carreiras, que ajudam o funcionário insatisfeito com a profissão ou que foi demitido a se recolocar no mercado. No entanto, o serviço que Clooney presta em Amor sem Escalas não é comum por aqui, explica Kátia:

– Acompanhamos o processo e damos orientação, ajudamos a refletir sobre seus objetivos, já o personagem do é muito distante do profissional.

Segundo Kátia, há um pouco de exagero nas reações mostradas na tela, pois, na vida real, o funcionário nota quando corre o risco de ser demitido, seja por não estar correspondendo às expectativas ou porque a empresa passa por um momento de crise.

– Por isso, quando recebe a notícia, não existe tanta surpresa – afirma.

Ligia diz que já viu muita gente entrar em desespero. Mas também destaca que a geração Y está vendo a demissão de forma diferente. Ao contrário das gerações anteriores, os jovens não pensam em dedicar toda a vida a uma mesma instituição.

Como demitir

Para chefes e gerentes, que mantêm uma relação mais próxima com os colaboradores, comunicar a demissão é uma das piores tarefas. Kátia explica que o serviço de outplacement, apesar de voltado para o demitido, também apoia quem está demitindo. Irigoite diz que nunca contrataria alguém para fazer esse trabalho por ele:

– Se você contratou uma pessoa, tem de ter a consideração de demiti-la de uma maneira humana.

No filme, a frieza da demissão terceirizada aumenta quando a trainee vivida por Anna Kendrick propõe que o serviço seja feito pela internet, por meio de vídeoconferência.

– As empresas já contratam pela internet, já dão curso à distância pela internet. É possível também que façam a demissão pela internet – diz Ligia.

Depois da demissão

Os profissionais de RH entrevistados concordam que a notícia da demissão cai como uma bomba e que a função do especialista em outplacement é fazer o funcionário repensar sua carreira. Kátia ressalta que o entendimento do motivo que levou à demissão é importante para que o empregado se reavalie.

– Você é obrigado a revisitar a sua trajetória, isso pode dar a oportunidade de relembrar e buscar velhos sonhos – reflete Ligia.

BRUNA ACOSTA | ESPECIAL

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