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06/12/2009 | 10h20

Estilo Próprio: A calçada da moda

Em casario da rua Félix da Cunha, residências dão lugar a lojas cheias de charme

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Estilo Próprio: A calçada da moda Eduardo Liotti/Especial
O público que frequenta a calçada tem perfil de consumidor do Interior, que gosta da proximidade com o lojista Foto: Eduardo Liotti / Especial

Um novo polo comercial ganha força no bairro Moinhos de Vento. Na rua Félix da Cunha, colada à Praça Maurício Cardoso e ao Shopping Moinhos, bem em frente ao Sheraton, cresce a Calçada da Moda.

No casario dos anos 30, as residências estão cedendo espaço para estabelecimentos comerciais, quase todos relacionados à moda.

– Nossa escolha não foi proposital – conta Bento Corbetta, sócio da grife Indiada. – Queríamos um ponto no Moinhos e encontramos aqui, nessas casas que são um charme.

Há dois anos, a Indiada, marca gaúcha que se dedica à moda aventura, abriu seu primeiro ponto de vendas na Félix da Cunha e não tem queixas do movimento.

O Moinhos, que já tinha a Calçada da Fama, na rua Fernando Gomes (o apelido faz referência à circulação de um público bacana pelos bares e restaurantes) e a Calçada da Grana, na Mariante (pela concentração de agências bancárias), ganha agora a Calçada da Moda, no conjunto de casas tombado pelo patrimônio histórico e cultural.

O atrativo da região deve-se à localização.

– Acabamos pegando os clientes das redondezas, o público que vai ao shopping e a outros lugares de comércio – justifica Ana Cristina Kanarzveski, da Espaço Boho.

A sócia da marca de roupa feminina, focada nas jovens em busca de conforto casual, lembra outro detalhe importante: os aluguéis na região são mais baratos do que os da rua Padre Chagas, por exemplo. Preços mais em conta acabam atraindo uma moda de maior frescor, feita por jovens estilistas e jovens empresários.

O exemplo mais recente é da Aragäna, há apenas uma semana instalada no número 1143. A marca foi criada pelos amigos Paulo Ceratti, Martin Valls e Gabriel Vanoni. Abriram ao mesmo tempo na Vila Madalena, em São Paulo, e na Calçada da Moda.

– Queríamos no Moinhos de Vento, mas estávamos procurando o lugar certo – relembra Paulo. – Um dia, passei aqui em frente e vi que tinha vaga.

A Aragäna, há dois anos no mercado, tem camisetas com estampas em francês, inglês e espanhol e uma moda com pegada folk.

– Temos o público do bairro e que circula por aqui, já que no Moinhos ainda dá para caminhar – conta Paulo.

Para a estilista Ana Cristina, da Boho, também dona de uma loja na Cidade Baixa, o Moinhos é o novo centro. Existe o cliente do bairro, o público que trabalha na região, os turistas que visitam a área e os moradores de outros bairros da cidade que desembarcam nos finais de semana para consumir.

A Calçada da Moda tem ainda uma loja de sapatos, a Scarpe, e a Los Corrales, grife argentina cuja única filial está instalada em Porto Alegre. O proprietário da Los Corrales gosta da nova vizinhança. Miguel Angel Cabrera acreditou no potencial da rua há seis anos. Alugou uma garagem, reformou e passou a vender sua moda rural de luxo. Entre os clientes fiéis estão jogadores de polo e criadores de cavalos. Os paulistanos que se hospedam no Sheraton são grandes compradores.

Mas não é só moda naquele casario. Há pouco mais de uma semana foi aberta a Uruguay Store, um pequeno espaço de produtos do país vizinho, com vinhos e uma variedade de guloseimas da marca Punta Ballena.

– Aqui está o nosso público, e é maravilhoso estarmos perto do shopping – explica o empresário Marco Vanzini.

Assim como outros comerciantes, Marco mantém a loja no andar térreo e a parte de escritório e representação comercial no piso superior da casa. Outra loja de alimentação é a Cortes Especiais Cordeiro Pedras Altas, especializada em carne de cordeiro e ingredientes para o seu preparo. Na esquina da Calçada da Moda com a Praça Maurício Cardoso fica o restaurante Quixote. Na outra ponta, o casarão abriga o Saúde no Copo e a loja HSC Concept. Esta última, fora do casarão tombado, tem a empresária Janice Chmelnitsky no comando há sete anos:

– Temos o mesmo público da Padre Chagas, todo mundo acaba passando aqui – diz. – Mas é um público completamente diferente de shopping. Quem consome em loja de rua é um cliente com comportamento de Interior, que é mais próximo do lojista e muito mais fiel.

A Calçada da Moda da Félix da Cunha é um bom exemplo de ocupação de um patrimônio da cidade. O arquiteto Calito Moura instalou seu escritório em uma das casas tombadas há 35 anos. Foi o pai dele, Fernando Azevedo Moura, em 1930, quem construiu o casario. Preocupado com a memória do bairro e por consequência da cidade, Calito capitaneou o processo de tombamento do prédio no anos 1980 para evitar o projeto da construção de um estacionamento.

– É um valorização deste espaço e, além do mais, comércio de rua é muito bacana, pois mantém um hábito gostoso de a pessoa caminhar, olhar uma vitrine, passear – empolga-se.

Calito é um dos participantes mais atuantes do movimento Moinhos Vive. Milita pela preservação das construções antigas do bairro e faz um alerta:

– É preciso preservar a memória cultural do bairro. Muito já foi destruído, mas ainda há tempo de preservar o que restou. Caso contrário, destruindo tudo, vai ficar um bairro horrível e vão acabar com o Moinhos de Vento.

Para os próximos meses, está em negociação a abertura de um novo café no casario. Outra novidade é da grife Indiada, que irá se mudar para uma casa maior, valorizando ainda mais o espaço.

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