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07/12/2009 | 12h29

Com apoio do Pato Fu, gaúcha Gru tenta a sorte como cantora

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Com apoio do Pato Fu, gaúcha Gru tenta a sorte como cantora Marcos Nagelstein/ZH
Gabi Lima é a porção civil de Gru, compositora, cantora e multi-instrumentista que acaba de trocar Pelotas por Porto Alegre para fazer deslanchar seu trabalho autoral Foto: Marcos Nagelstein / ZH

É noite de rock no Dr. Jekyll. Enquanto a primeira banda mutila seus instrumentos, em frente ao palco Gabi Lima se destaca em meio ao pequeno público com uma Nikon D40 nas mãos. Fotografia está entre suas paixões, mas não foi isso que a tirou de casa numa noite úmida de primavera porto-alegrense e a abalou até o decano bar da Cidade Baixa. A razão foi a mesma que a fez fixar residência na Capital e, no meio da festa, tentar me convencer a comprar seu primeiro disco – mesmo eu o tendo baixado, de graça e há muito tempo, de seu site oficial.

– Mas esse aqui está com qualidade melhor. Vai, seis pilas, olha – ela insiste, agora assumindo a identidade de Gru.

E aqui cabem algumas explicações. Gabi Lima é a porção civil de Gru, compositora, cantora e multi-instrumentista. A primeira acaba de chegar de Pelotas, onde viveu os últimos 27 anos, para morar com o namorado em Porto Alegre. Trouxe pouco mais que violão, laptop, iPod, quatro barras de chocolate de meio quilo e o livro Alucinações Musicais, de Oliver Sacks.

A segunda é dona de uma voz rasgada, da escola de Cássia Eller, canta em inglês perfeito, gravou sozinha (somente garganta, violão e dor de cotovelo) o disco de covers Loneliness Keeps Company, em 2005. Nele, entrega as referências que, quatro anos depois, influenciaram Kitchen Door, seu primeiro trabalho autoral – e que, naquela noite, ela tentou me vender.

Óbvio, Gabi trouxe Gru para vencer em Porto Alegre. Veio em busca de contatos, apesar de já conhecer figuras-chave da cena underground da cidade, ser apadrinhada pelos mineiros do Pato Fu (John Ulhoa produziu uma das faixas de Kitchen Door) e estar pronta para se lançar nacionalmente pelo selo Senhor F Virtual, do prestigioso capo indie Fernando Rosa.

Nenhuma pressa, garante, enquanto trabalha num estúdio produzindo trilhas para jingles publicitários. Quer mostrar toda a potência de Kitchen Door e, para tanto, precisa de uma banda de apoio. Se conseguir espaço apenas para voz e violão, volta ao pocket show Gabi Vai Tocar que a tornou conhecida em Pelotas.

– Mas aí é uma apresentação mais de covers, no estilo do meu primeiro disco – comenta.

Alguns números do Gabi Vai Tocar podem ser assistidos no YouTube. Entre músicas "sérias", Gabi faz versões impagáveis de Crazy in Love, de Beyoncé, e Womanizer, de Britney Spears. Estranho?

– Tento equalizar diversão com o que gosto. O importante é soar bem – sentencia, sem ligar para patrulhas ideológicas.

E como uma patrulha pegaria alguém que se identifica com os irmãos Hanson até fisicamente? Que canta Tom Waits com tanta vontade, mesmo sendo abstêmia? Que escreve sobre todo tipo de amargura juvenil tendo uma máquina de algodão doce em casa? Gabi responde:

– Isso é um problema, sabe? Essa coisa de ter que fazer música assim ou assado, de precisar cantar em português...

A música de Gru reflete a mulher do seu tempo que é Gabi. Adolescente classe média nos anos 1990, ela é parte da geração que substituiu a TV aberta pelo cabo, descobriu na incipiente internet uma janela para o mundo e nunca deu bola para o rádio. Por isso a naturalidade em escrever e cantar em inglês, as referências importadas e a identificação com o Do It Yourself, desde tocar todos os instrumentos até montar o próprio site de divulgação.

Além de, claro, vender seu peixe com a certeza de que vale cada centavo.

Confira links para os discos e videos da Gru no blog do Remix.

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