Existem diferenças marcantes entre as marcas de tintura?
A única diferença está na qualidade dos ingredientes. Segundo o dermatologista Leonardo Spagnol Abraham, da diretoria da Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio de Janeiro (SBD-RJ), os agentes são geralmente classificados quanto à durabilidade da cor: gradual, temporária, semi-permanente e permanente.
– Existem pigmentos naturais e sintéticos. Entre os naturais, o mais conhecido é a henna, que dá ao fio uma tonalidade vermelho-alaranjada. A maioria das pessoas prefere utilizar pigmentos sintéticos, que têm resultados mais previsíveis. É interessante a realização de teste de contato antes da utilização de certos produtos, principalmente aqueles à base de derivados de coaltar – diz o médico.
O resultado da tintura vai depender também da estrutura do cabelo. Se ele estiver danificado e poroso, a cor e a textura podem não ficar ideais, já que os fios vão absorver muito ou pouco produto.
Qual a diferença entre tintura e tonalizante?
Os componentes são os mesmos (resorcina, resorcinol, parafenilenodiaminas, diaminotoluenos), porém, a tintura permanente penetra mais no córtex da fibra capilar porque seu pH é alcalino, explica a dermatologista Maria Fernanda. Este pH alcalino é obtido às custas de amônia. A amônia tem apenas esta finalidade e não faz parte dos ingredientes que coram ou modificam a cor dos fios. Por penetrarem mais, as tintas permanentes não saem com as lavagens, ao contrário dos tonalizantes, que saem após cerca de 8 xampus, pois só tingem a cutícula.
Qual a diferença entre as técnicas e para qual caso cada uma é mais indicada?
Quem explica a diferença entre clareamento, decapagem, descoloração, tintura e mechas é a técnica da L'Oréal Professionnel, Sheila Duarte.
Clareamento: Pode ser através da coloração de oxidação. Os produtos podem clarear a cor natural dos cabelos em até quatro tons aproximadamente
Decapagem: É um serviço que clareia um cabelo já tingido de uma cor mais escura para depois aplicar uma cor mais clara.
Descoloração: Se for necessário clarear um cabelo natural em mais de quatro tons, primeiro se faz uma descoloração para depois então aplicar uma cor mais clara.
Tintura: Existem basicamente dois tipos: os tonalizantes, que não mudam muito o tom natural, não clareiam, só dão um brilho colorido; e as tinturas, que podem mudar completamente uma cor natural: elas clareiam e colorem ao mesmo tempo.
Mechas: Descoloração parcial de algumas mechas de cabelo. Podem ser feitas com descolorantes. Ou, se o cabelos for virgem, podem ser feito com as tinturas, usando tons mais claros que a cor natural para criar um contraste.
A henna é melhor para os fios?
Nem sempre. As hennas puras tingem os fios brancos apenas nos tons de laranja. Quando são alcançados outros tons, a henna natural foi adicionada aos pigmentos das tinturas comuns.
A química Cristina Fernandes, sócia do Club Capelli, explica que há dois tipos de henna, a natural e a sintética. A natural é uma planta com alta concentração de pigmento, que colore os fios de forma semi-permanente, pois sai com algumas lavagens. Na sintética, comercializada em pó, ela é misturada a outros ingredientes que contêm produtos químicos.
Grávidas podem tingir os fios? Existe algum perigo para o bebê?
Durante a gravidez e lactação, não é recomendado que se utilize qualquer tipo de química capilar para tingimento, permanente ou alisamento, mesmo a henna.
– Não há unanimidade quanto à segurança no uso de tais técnicas e substâncias em relação ao feto, porém sabe-se que o risco é maior para os profissionais que aplicam os produtos químicos sem o uso de luvas e máscaras – explica Abraham.
A dermatologista Maria Fernanda Gavazzoni, também da SBD, lembra que há estudos importantes que relacionam o uso de qualquer pigmento a má-formações fetais como neuroblastomas e doenças cardíacas. O risco parece ser muito baixo, porém existe.
O obstetra Luiz Fernando Dale enfatiza que as gestantes que querem pintar os fios ou fazer luzes devem primeiro consultar um médico de confiança para avaliar os riscos do procedimento.
Como proteger os fios do efeito da tintura?
Quanto mais uso de tintura e alisante, maior tem de ser o tratamento. Cristina Fernandes recomenda a reconstrução à base de proteínas, como queratina, proteína do trigo, da soja e do arroz, nutrições à base de vitaminas, feita especialmente no couro cabeludo, e hidratações semanais em casa.
Todos os fios precisam receber esses tratamentos, mas os fios com tintura necessitam com maior frequência.
Entenda os rótulos dos produtos:
Coloração gradativa: Utiliza corantes metálicos como sais de chumbo, bismuto ou prata. Escurecem o tom natural do cabelo. Após a aplicação, os fios não podem ser tingido com outra técnica, pois podem quebrar.
Coloração temporária: São corantes solúveis em água que não penetram na cutícula. Em geral, saem na primeira lavagem, exceto se o cabelo estiver danificado por tratamentos químicos anteriores. A aplicação sobre fios previamente tingidos pode ocasionar uma coloração de tons indesejáveis.
Coloração semi-permanente: Em geral são as hennas sintéticas. São substâncias de baixo peso molecular derivados do coaltar (diaminas, aminofenóis, fenóis). Provocam pouco dano à haste capilar, porém o efeito no cabelo quimicamente tratado pode ser imprevisível. Podem escurecer os fios em até 3 tons. Cabelos danificados ou apenas retoques nas raízes necessitam de moléculas de diferentes pesos moleculares para que a cor se mantenha uniforme.
Coloração permanente (oxidação): São soluções à base de amônia que penetram na cutícula. Podem escurecer ou clarear, sendo mais eficazes para os fios grisalhos ou brancos. O pigmento é permanente e não sai com as lavagens. A utilização de uma nova coloração sobre o cabelo já tingido pode danificar os fios. É recomendado que procedimentos de alisamento ou permanente sejam realizados pelo menos 2 semanas antes da coloração.













