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18/10/2009 | 08h20

Como recomeçar depois de uma separação

Em média, no Brasil, um casamento em cada quatro termina em divórcio

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Como recomeçar depois de uma separação divulgação sxc.hu/
Desde 1984 aumentou em mais de 200% o número oficial de divórcios no Brasil Foto: divulgação sxc.hu
Um dia você marca a data do casamento. Juntos, os noivos planejam cerimônia, festa e lua de mel, decoram a nova casa, escolhem a lista de presentes e distribuem os convites. Mas no dia em que o casamento termina é preciso descobrir sozinho o que fazer. Descontado o processo de divórcio, não há rito predeterminado. É hora de descobrir por conta própria o que fazer, para onde ir, para quem contar. E como reorganizar a vida e a rotina.

Como desde 1984 aumentou em mais de 200% o número (oficial) de divórcios no Brasil e a média no país é de que um casamento em cada quatro termine em dissolução, cada vez mais gente enfrenta essas questões.

A matéria deste domingo do caderno Donna ZH traz dicas para recomeçar depois de uma separação. Confira algumas: 

Primeiros socorros

Você pode ter dado o ponto final no casamento e estar convicto da decisão. Ainda assim, acredite, os primeiros dias são turbulentos: no mínimo, há a casa, a rotina e a cabeça para reorganizar.

Há quem fique em reclusão, quem não pare em casa, os que emendam sessões de terapia... Nem tudo funciona para todos, mas a mesa-redonda que deu origem a esta reportagem chegou a alguns consensos, como recorrer aos amigos e fazer terapia. Melhor ainda se começar o tratamento antes da separação, para dar suporte a essa decisão, e seguir como apoio para a nova fase.

Aviso para quem?

Terapeutas, pais e melhores amigos são sempre os primeiros a saber. E embora muitos não sintam vontade nem necessidade de sair alardeando a novidade por aí, alguns chegaram à conclusão de que ajuda contar no trabalho. Afinal, é onde se passa a maior parte do dia e, mais cedo ou mais tarde, os colegas percebem que algo vai mal. Melhor dar a notícia logo e contar com a paciência de todos.

Quem sai de casa

De repente, você sai do trabalho e não tem mais casa para voltar. E sim um quarto na casa dos pais, de um amigo, ou num hotel. Para quem tem filhos, é ainda mais estranho: ao final do dia, eles não estarão lá. Então, assim como quem casa quer casa, quem separa também.

Mas não tome uma atitude precipitada. Melhor primeiro passar um tempo na casa de alguém ou mesmo em um hotel e escolher com calma onde morar.

Quem fica em casa

O casamento termina, ele/a vai embora e você fica no mesmo quarto, na mesma sala, no mesmo espaço em que tudo de bom e ruim aconteceu. E agora? É preciso transformar a casa do casal num lar só seu — ou seu e dos seus filhos.

Fazer pequenas e grandes mudanças na casa, como ensina o livro de Eliane Santoro, Divórcio para Elas, ajuda a se adaptar à nova situação e a se sentir bem em um espaço com tanta história. Vale fazer uma reforma, reorganizar gavetas ou redecorar os espaços para deixá-los com a sua cara.

Proibido para recém-separados

- Não investigue a vida do ex nem fique comparando como você e ele estão lidando com a separação. Quem tem filhos faz a ressalva de que é importante saber um pouco mais sobre o novo par da(o) ex para conhecer melhor quem estará participando da vida da criança.

- Nada de sessões de fossa revendo os álbuns do casal. Tire de circulação as fotos de casamento, viagens e qualquer outro momento a dois. Reúna tudo em uma caixa e deixe em um lugar fora de mão.

- Se não tem intenção de voltar, esqueça as recaídas. Vão atrapalhar mais do que ajudar.

- Nada de falar nem mal, nem muito bem da(o) ex - e isso vale para sempre. Lembre-se: tudo que você disser poderá ser usado contra você, inclusive por seu novo par.

Proibido para amigos e parentes: o que não dizer a um recém-separado

- "Tadinho do teu filho..." Tadinho por quê? Pior continuar morando na mesma casa com pai e mãe, mas vê-los infelizes.

- "Tá, mas me conta, por que vocês se separam?" Não pergunte nem tente entender.

- "Sabia que o fulano já está com outra?" Antes de contar a novidade, pergunte-se: ele ou ela quer mesmo saber?

- "Mas de novo?!" Sim, se o segundo (ou terceiro...) casamento não estava mais fazendo ele feliz.

- "Ah, mas sair vai ser melhor para ti". Nem sempre. Às vezes, quem recém se separou prefere ficar um pouco recluso. Então, diante de uma recusa categórica, não insista.

- "Fulano, essa é a beltrana que também recém se separou." Lembre-se: nem todo mundo topa um encontro às escuras. Toda regra, contudo, tem exceção. Foi numa dessas armações bem-intencionadas que Renata Rode, autora de Separado e Daí?, conheceu o homem com quem vai se casar. De novo.

Filhos, para sempre

- Quem sai de casa precisa ter em mente que o novo lar deverá ter um espaço para a criança. Não basta um colchonete: o filho precisa de um espaço dele na nova casa.

- Separe seu filho do ex-marido ou da ex-mulher. Essa clareza é necessária principalmente para quem sai de casa: da mesma forma que há associações de pais que reivindicam maior participação na vida do filho depois da separação, há muitas mulheres na justiça, cobrando que os ex-maridos assumam seu papel junto aos filhos em comum.

- Dica de pai para pai: quando estiver com o filho, não terceirize os cuidados. Seja você mesmo a cuidar dele, dar banho, ajudar na lição etc.

- As crianças surpreendem com a naturalidade com que lidam com diferentes situações. Se você conheceu alguém e o namoro engrenou, é mais simples e mais acertado falar a verdade para o filho do que inventar desculpas para a presença daquela pessoa.

Hora de se redescobrir

Os guias pós-divórcio de Eliana Santoro e de Renata Rode insistem no mesmo ponto: nas concessões típicas da vida a dois, acabamos deixando pelo caminho gostos e hábitos e encampando outros para agradar ou fazer companhia ao parceiro. Como resume a terapeuta Lúcia Pesca, que acompanhou a mesa-redonda realizada pelo caderno Donna, o pós-separação pode também ser encarado como a busca pela individualidade muitas vezes perdida a dois: em vez de se ver como uma "metade desamparada", embarque num processo de autoconhecimento. Assim, é hora de retomar o que se gosta, desengavetar projetos e deixar de lado o que estava sobrando.

Melhor saber ou ignorar a vida amorosa do ex? Dá para virar a página, ficar sem vê-lo até que um encontro casual um dia aconteça? Depende se o ex-casal teve filhos. De todas as questões que envolvem a vida pós-separação, a relação com o ex talvez seja aquela em que mais pesa a diferença entre os separados com e sem filhos. A começar pela primeira pergunta: quem também é pai e mãe (principalmente os pais, no caso desta entrevista) julga que é preciso, sim, não só conviver numa boa com a/o ex mas também com seus novos amores. Tudo, no final das contas, acaba virando a grande família das crianças, além de se tratar de um novo adulto na casa, participando do dia a dia do filho.

Sobre o/a ex

- O ex faz parte da sua história. Então, mesmo que vocês não tenham tido filhos e talvez nunca mais se encontrem, melhor não guardar rancor. Se for possível, atenha-se ao que teve de bom na relação.

- Separou por que não dava mais? Então, quem sabe estipule que no prazo X (um ano? seis meses?) não haverá volta. Até, pelo menos, você ter certeza de que não estará reatando por carência ou solidão.

- Para quem se separou numa boa, mas sabe que pode ser difícil ver o ex com outra pessoa, uma dica é combinar de um avisar o outro quando estiver namorando firme.

Mais sobre o/a ex (para quem tem filhos)

- Não se deve usar os filhos para controlar ou punir o/a ex. O ex-casal tem que resolver entre si questões do dia a dia, como, por exemplo, quem irá pagar o passeio da escola. Então, evite mandar recados pela criança.

- Muitas questões da rotina do filho para resolver a dois? O e-mail pode ser uma forma rápida e menos sujeita a desgastes.

- O/A ex está namorando? Pode ser uma boa ideia conhecer melhor a pessoa que agora convive com seu filho.

- Se o/a ex é muito rígido com horários e dias acertados para ficar com o filho, mesmo em ocasiões especiais, como viagem de fim de semana, a experiência diz que quando ele/a estiver namorando, tenderá a ser mais flexível.

De volta à ativa

Cada um sabe quando é hora de voltar a namorar. Entre nove recém-separados, havia quem tivesse passado por um período de recolhimento antes de voltar a badalar, mas a maioria já tinha vivido novos relacionamentos — três deles estavam namorando no momento. Não há tempo certo para isso: quem, ao se separar, já tinha elaborado e assimilado bem a ideia, mais cedo se sente disposto a começar um novo relacionamento.

A terapeuta Lúcia Pesca faz um alerta: antes de engatar um namoro, aproveite a experiência do casamento, avalie que comportamentos seus podem ter colaborado para o fim da união e pergunte-se também se não é preciso reavaliar seus critérios na escolha do próximo parceiro, em busca de alguém com quem tenha mais afinidades.

Onde encontrar um novo par

- Supermercado, depois das 22h, é território de solteiros e separados. Fique atento ao que levam no carrinho de compras, se tiver garrafa de vinho, comida congelada e legumes em pequenas porções as chances de ser alguém desimpedido são grandes.

- Além de ser um programa legal, passear com o cachorro é também uma forma de socializar e um bom pretexto para iniciar uma conversa.

- Não faltam relatos de pais separados que conheceram, por meio dos filhos, outros pais separados — ou simplesmente solteiros que gostam de crianças. Assim, atividades cotidianas como levar os pequenos à pracinha ou buscá-los na escola podem trazer surpresas.

- Internet, claro. O Orkut, por exemplo, pode até ter perdido o posto e o prestígio para novidades como o FaceBook, mas ainda é parte do ritual dos recém-separados atualizar seu estado civil, incrementar seu perfil e mudar as fotos no portal de relacionamentos.

- Três em um: fazer exercícios ajuda a manter a forma, faz bem para saúde é uma forma de conhecer gente nova.

- Quer encontrar um parceiro com quem você terá muitas afinidades? Então, aquele plano antigo de começar um curso de história da arte, participar de uma ONG ecológica ou praticar dança de salão pode ser a chance de conhecer alguém que compartilhe os mesmos interesses.

Saiba mais

- Para cada quatro casamentos em 2007, foi registrada uma dissolução (divórcio ou separação). Neste mesmo ano, em 89,1% dos divórcios, a guarda dos filhos menores ficou com a mãe.

- De 1984 a 2007, a taxa de divórcios cresceu mais de 200%.

- Em 2007, foi maior o número de homens divorciados que se casaram novamente com parceiras solteiras (7,1%) do que de mulheres divorciadas que recasaram com solteiros (3,7%).

- O Brasil encabeça a lista de países quanto à aceitação do divórcio: 85% dos brasileiros entrevistados afirmaram ser favoráveis à dissolução quando o casamento está indo mal; apenas 12% acreditam que vale a pena manter uma relação em crise.

- Homens divorciados têm 6 vezes mais chance de ter depressão do que os casados. Mulheres as divorciadas têm 3,5 vezes mais chances de ter depressão do que as casadas

Fontes: IBGE, Ministério da Saúde, Universidade de Granada, na Espanha (pesquisa realizada entre 1994 e 2007), Journal of Epidemiology and Community Health (pesquisa de 2009), Statistics Canada, e Health Research Board, da Irlanda.

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