O que Johnny Depp e William Bonner têm em comum? Quase nada.
E justamente por isso o fato do astro mais outsider do cinema e do compenetrado apresentador e maridão do Jornal Nacional liderarem a enquete que pergunta "Quem está mais próximo de ser o homem ideal?" reflete o momento de redefinição de conceitos e paradigmas deste início de milênio. Assim como os homens estão reavaliando seus papéis e reivindicando a liberdade de definir a masculinidade à sua maneira, também as mulheres estão revendo e ampliando suas expectativas. Mais do que "o" homem ideal, a enquete revelou diferentes ideais.
Johnny sem limites
Johnny Depp não cabe em rótulo algum. A não ser, talvez, de um dos atores mais ousados e camaleônicos de sua geração. A cada
novo filme, o astro americano de 46 anos testa seus limites e os limites do
público em atuações e escolhas surpreendentes.
Na excêntrica galeria de seus personagens, sobressai-se o flerte com a androginia e as sombras não à toa alguns papéis foram recusados por outros atores. Depp consolidou-se como astro a partir de tipos como o sensível frankenstein com mãos de tesoura, um pirata maneirista e afeminado (que lhe rendeu um Oscar), a versão totalmente emasculada de Willy Wonka e um travesti que protagoniza cenas violentas em Antes do Anoitecer. E no ano que vem, volta à tela como um bizarro Chapeleiro Maluco, em Alice no País das Maravilhas. Nada mais distante, portanto, do homem másculo e sedutor que se consolidou no imaginário feminino. E ainda assim, ele segue como um modelo.
O que parece seduzir em Johnny Depp (além, claro, da cara de anjo safado, de barba rala e olhos negros) são mesmo suas contradições, seus excessos e imperfeições tão afinados com um tempo de refedinição de valores. Ele é o homem que se mostra violento com paparazzi,
e também o ator que
distribui champanha aos colegas de equipe ao final de um dia de filmagem. Tatuou na pele um dos tantos amores que deram errado, teve problemas com drogas e bebida, ganhou e perdeu a fama de bad boy, e hoje refugia-se sul da França para ter uma "vida normal" com sua mulher, a cantora Vanessa Paradis, e os dois filhos.
Erigiu uma carreira na contramão da pecha de galã gravada já em seu primeiro grande sucesso, o seriado adolescente Anjos da Lei. Mas recentemente, já além de qualquer clichê, declarou que toparia participar da versão cinematógráfica da série dos anos 1980, a ser filmada em breve. Jamais realizou o sonho de adolescente : tornar-se um astro da música. E conquistou o mundo inteiro com a carreira plano B.
Ideal? Melhor que isso: deliciosamente humano.
Boa noite, William Bonner
Quatro anos depois de ser eleito pelas leitoras de DonnaZH como o marido ideal, William Bonner, 45, é vice na enquete
sobre o homem ideal. E o que há de tão ideal no apresentador
e editor-chefe do Jornal Nacional?
Estabilidade e dedicação no trabalho e no amor são uma hipósete plausível. O profissional compenetrado, de sorrisos meio sem jeito, e respeitáveis mechas brancas no cabelo preto, é igualmente conhecido por seu trabalho à frente do mais tradicional telejornal do país e por ser casado há mais de década com sua colega de bancada, Fátima Bernardes. Todos os dias na TV, e também toda semana em revistas e sites de celebridade, o público confere capítulos da vida em família e tem farto material para idealizar à vontade a intimidade do casal e até para dar palpites. Foi assim quando Fátima viajou para cobrir a Copa do Mundo do Japão, em 2002, e pipocavam mais de 500 e-mails por dia. Para ela, muitas mulheres sentiam-se vingadas pelo fato de a jornalista dar-se o direito de investir na carreira, deixando a família ao encargo do marido. Mas o ibope dele também aumentou: espectadores estavam comovidos por ele estar cuidando sozinho da
prole.
Para completar, Bonner
reitera a boa fama em declarações como essa:
A quem pergunta sobre meu casamento, digo sempre duas coisas: tenho identificação absoluta com minha mulher. E um respeito absoluto por ela.
Ou ainda:
Minha maturidade profissional decorre do meu casamento.











