Se todo pai e toda mãe cuidasse da saúde dos olhos dos filhos que têm em casa, provavelmente teríamos menos adultos com problemas graves de visão, como a catarata e até a cegueira. A iniciativa ajudaria até mesmo os cofres públicos, já que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), gasta-se cerca de R$ 500 mil por cada pessoa cega.
Para evitar problemas relacionados ao sentido que nos faz enxergar o mundo, prevenção é a palavra-chave, e deve começar com atitudes importantes dos pais. Logo após o nascimento, o teste do olhinho (ou teste do reflexo vermelho) pode detectar e prevenir diversas patologias oculares, como a catarata congênita, glaucoma congênito e o tumor intraocular. Depois, o ideal é fazer uma avaliação completa com o oftalmologista e consultas periódicas a cada cada seis meses, até o segundo ano da criança. Se não houver problemas de visão, é aconselhável fazer um monitoramento uma vez por ano, até os 10 anos.
A visão se desenvolve 90% nos primeiros anos de vida e só 10% após esta idade. É muito tarde levar a criança ao oftalmologista com cinco ou seis anos, quando ela vai à escola alerta a oftalmopediatra Rosane Ferreira, presidente do Instituto Ver e ex- presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica.
Outro cuidado importante na infância é o uso de óculos de sol. De acordo com a oftalmopediatra Célia Nakanami, presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica, não existe comprovação científica na população infantil, mas há evidências quanto aos danos causados pela radiação UV nas estruturas oculares, como cristalino e retina, e a relação dos efeitos da exposição por muitos anos no envelhecimento.
Além disso, o desconhecimento dos pais colabora para o avanço do problema: uma pesquisa realizada pelo Ibope e patrocinada pela Transitions mostrou que apenas 6% dos 1.122 pais entrevistados sabiam que o filho tinha sensibilidade à luz solar e nenhum reconheceu os males que a falta de uma proteção nos olhos pode causar às crianças.
O problema da exposição de hoje só vai aparecer mais tarde. Mas é preciso ficar atento quando os olhos ficam vermelhos depois de ir à praia ou ficar muito exposto ao sol. É sinal de que o olho deveria ter sido protegido e que sofreu uma queimadura explica Rosane.
Para evitar problemas futuros, além dos óculos solares para proteger os olhos dos raios UV, as crianças devem usar bonés e evitar o sol em horários inadequados.
É difícil manter óculos no rosto de um bebê ou de um criança pequena porque seu reflexo é tirá-los ou melhor arrancá-los. O uso dos óculos de sol pelos pais é uma atitude que pode motivá-los, além de fazer com que participem da escolha dos mesmos na hora de comprá-los diz Célia Nakanami.
Quando surge o risco
::: Bebês prematuros e com baixo peso ao nascimento têm grande risco de desenvolver uma doença chamada retinopatia da prematuridade (ROP), que pode levar à cegueira se não tratada adequadamente.
::: Assim que nasce, o bebê consegue ver o rosto da mãe à distância em que ela o amamenta (cerca de 20 centímetros). Uma criança com um mês e meio a três meses já fixa melhor e segue objetos. De quatro a cinco meses, o bebê examina as mãos, reconhece objetos e rostos familiares. Até os sete, pega os objetos e explora o ambiente. Com um ano, pode discriminar objetos e pessoas.
::: Em bebês pode-se testar se não existe diferença de visão entre os olhos ao ocluir um olho de cada vez e observar a reação da criança a esta oclusão. Se existir diferença na visão entre um e outro olho, é preciso saber a causa com um especialista e fazer um tratamento adequado.
::: Crianças mais branquinhas ou com olhos claros, em geral, têm menos pigmentos na pele e isso pode ocorrer nos olhos também, o que as deixam mais sensíveis à luz. Pelo fato de bebês e crianças pequenas estarem em desenvolvimento ocular, essa sensibilidade também pode acontecer.
Fontes: oftalmopediatras Célia Nakanami e Rosane Ferreira, presidente do Instituto Ver












