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21/08/2009 | 11h00

Psicopata é incurável e esquizofrênico tem cura, diz consultora de Caminho das Índias

De cada 25 pessoas, uma é desprovida de culpa, o que é típico de psicopatia

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Psicopata é incurável e esquizofrênico tem cura, diz consultora de Caminho das Índias João Miguel Júnior, TV Globo /
Yvone é a típica psicopata, capaz de passar por cima de qualquer um para satisfazer seus interesses Foto: João Miguel Júnior, TV Globo

A maldade e a frieza da psicopata Yvone (Letícia Sabatella), personagem da novela Caminho das Índias, habita entre nós, na vida real. A cada 25 pessoas, uma é perversa, desprovida de culpa e capaz de passar por cima de qualquer ser humano para satisfazer os próprios interesses. Os psicopatas são 4% da população. E não há cura para eles.

Quem afirma isso é a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, que é consultora da novela e ajudou a construir a personagem Yvone. A autora Glória Perez se inspirou em um livro da médica, “Mentes Perigosas – o psicopata mora ao lado”, que já vendeu mais de 120 mil exemplares.

Para Ana Beatriz, o grande desafio da novela é fazer a distinção entre o psicopata (Yvone) e o psicótico (Tarso, representado por Bruno Gagliasso), também chamado de esquizofrênico.

Segundo a médica, a diferença principal é que o primeiro tem um déficit no campo das emoções, é incapaz de sentir amor ou compaixão e é indiferente em relação ao próximo; já o esquizofrênico, é o oposto: ele tem afeto em excesso, é extremamente sensível e, “de tanto sentir e não se expressar, ele enlouquece”. E para a loucura, há tratamento.

– O psicopata não enlouquece nunca, pois ele não tem afeto. Ele não é capaz de se botar no lugar do outro e tentar sentir a dor que ele provocou. Mas o problema dele não é cognitivo, a razão funciona bem e ele tem a capacidade plena de distinguir o que é certo e o que é errado. Ele tem certeza que está infringindo a lei, mas não se importa com isso e até calcula os danos para saber o custo-benefício da ação – explica a psiquiatra.

Tratamento da esquizofrenia

A psiquiatra acredita que a principal mensagem da novela é que a esquizofrenia tem cura e precisa ser tratada com rapidez. Após o primeiro surto, 80% dos pacientes se curam; no segundo surto, são 50% os que se curam; e após três surtos, 30% dos pacientes são curados.

– Quando surge o primeiro surto, as pessoas levam muito tempo para procurar ajuda e negam a doença. A grande mensagem da novela é essa: busquem ajuda – disse.

Ela afirmou ainda que o tratamento, em qualquer caso, tem que ser feito até o fim da vida.

Psicopatas nascem psicopatas

De acordo com a consultora de Caminho das Índias, o psicopata já nasce com uma predisposição genética à manifestação desse tipo de comportamento de indiferença afetiva:

– O sistema emocional do psicopata vem desconectado e não conecta novamente. Não tem cura até o momento.

Mas a psiquiatra afirmou que essa manifestação pode ser aumentada ou diminuída:

– Se você tem uma sociedade que tolera desrespeito, preconceito, tiranias, injustiças, violências, isso acaba fomentando que psicopatas que manifestem mais. Se tem uma sociedade de tolerância zero, a tendência é reduzir essa manifestação. Uma pessoa não vira psicopata. Ela vai manifestando ao longo da vida.

A impunidade alimenta a psicopatia

Segundo Ana Beatriz, os países mais capitalistas tendem a revelar maior número de psicopatas. Para ela, a recente crise econômica que abateu o sistema foi uma “crise de valores psicopáticos”. Assim como os desvios de verbas e corrupções que afligem o Brasil e a impunidade diante de tais escândalos.

– Desvio de merenda escolar, por exemplo, isso atinge milhares de pessoas, são crianças que ficam sem estudar. Superfaturamento ou desvio de verba de medicamentos, todas são atitudes francamente psicopaticas – exemplifica, argumentando que os responsáveis por tais ações sabem que milhares de pessoas serão prejudicadas, ou seja, usam a razão e atuam sem qualquer sentimento.

A médica lembra que esses casos não entram em fichas policias, mas são tão graves quanto um assassinato:

– As pessoas associam psicopatia com assassinato, mas a maioria dos psicopatas não mata.

Níveis de psicopatas

Ana Beatriz afirmou que há três níveis de psicopatas: o leve, que aplica os famosos golpes 171 (estelionato ou fraude) e atinge uma pessoa; o moderado, que aplica o mesmo golpe, porém em uma esfera social mais alta (como o superfaturamento na compra de remédios para o sistema de saúde pública) e acaba lesando milhares de pessoas; e o grave, que seria o serial killer, o assassino para quem não basta matar, tem que haver atos de crueldade. Esse último tipo, porém, é raro.

Dos 4% de psicopatas da população, 1% é grave e 3% são leves e moderados. A personagem Yvone, por exemplo, é uma psicopata de nível médio, pois ela sempre lesa uma só pessoa, nunca um grande sistema, e não é capaz de matar.

Segundo a médica, o grande tratamento para os psicopatas “é a postura que temos com essa pessoa”. A grande arma da sociedade, segundo ela , é não tolerar a impunidade. As informações são do site G1.

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