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01/07/2009 | 09h56

Parteira foi a primeira mulher na Academia Nacional de Medicina

Madame Durocher realizou mais de cinco mil partos

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No museu da Academia Nacional de Medicina (ANM), no Rio de Janeiro, a imagem de uma estranha figura chama a atenção. Cabelos curtos, repartidos do lado, casacão e aspecto viril, aquela é, embora não pareça, uma mulher: Maria Josefina Matilde Durocher, a primeira parteira a receber licença para exercer o ofício no país e símbolo dessa atividade. Mais conhecida como Madame Durocher, ela nasceu em Paris, em 1809, e veio para o Brasil aos 7 anos. No Rio, onde fixou residência, se tornou também a primeira mulher a integrar a ANM, a mais antiga instituição de medicina do Brasil, que completa 180 anos hoje. A curiosa história da primeira acadêmica revela também um pouco mais sobre a evolução da medicina no Brasil.

– Ela usava trajes masculinos para poder trabalhar, já que muitas vezes precisava sair à noite para atender a seus pacientes – explica Marcos Moraes, presidente da ANM. – E naquela época, mulheres sozinhas à noite eram tidas como prostitutas.

O trabalho que a tornou conhecida – realizou mais de cinco mil partos – não foi a a primeira ocupação profissional de Madame Durocher. Em 1829, depois da morte da mãe, a florista Ana Durocher, que se estabeleceu aqui como comerciante, Maria Josefina passou a comandar a loja da família.

D. Pedro II assistia às reuniões da ANM

Foi só após o assassinato do seu companheiro, o negociante francês Pedro David, três anos depois, que Maria Josefina matriculou-se no Curso de Partos da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

A partir daí, passou a se dedicar aos estudos e, depois, à profissão. Para exercê-la, usando o codinome Madame Durocher, optou pelos trajes masculinos, que considerava confortáveis e favoreciam o trânsito pela cidade.

– Ela atendia de escravas a princesas e, em 1866, se tornou a parteira da Casa Imperial – lembra a museóloga Kátia Costa e Silva, que cuida do acervo da ANM.

Em 1871, Madame Durocher - que participou do nascimento da Princesa Leopoldina, filha de D. Pedro II – foi convidada a ingressar na Imperial de Medicina, mais tarde, Academia Nacional de Medicina. Ela passou a frequentar as reuniões da entidade, publicando também diversos artigos sobre saúde. Sua influência ali foi tamanha que a academia criou, em 1909, o Prêmio Durocher, dado até hoje a trabalhos de destaque em obstetrícia e ginecologia.

AGÊNCIA O GLOBO

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