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24/06/2009 | 10h23

Psicólogo dá conselhos para casais terem mais satisfação amorosa

Para o especialista, namorar também se aprende

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Psicólogo dá conselhos para casais terem mais satisfação amorosa Divulgação, stock.xchng  /
Para ter um bom relacionamento, é preciso manter o foco Foto: Divulgação, stock.xchng

O psicólogo Aílton Amélio da Silva é um otimista quando o assunto é amor. Professor da Universidade de São Paulo (USP), ele é responsável por uma disciplina, no mínimo, curiosa: relacionamento amoroso. As aulas com Ailton - que analisam pesquisas sobre temas como paquera e escolha de parceiros - estão entre as mais procuradas do departamento de Psicologia. Também, pudera. Quem nunca precisou de uma forcinha nas questões afetivas?

– Aprendemos a andar, a escrever, a nadar, a falar inglês... Só que quando se trata de amor e sexo, pensamos que tudo deve acontecer instintivamente. Nada disso. O amor não é racional, mas com a ajuda de algumas perguntas e respostas honestas e a orientação de profissionais que estudam o comportamento humano, podemos aprender a nos relacionar melhor. Saber manter um bom relacionamento é igual a aprender a andar de bicicleta. Na hora que você desvia a atenção do objetivo, você cai - analisa o psicólogo, autor do recém-lançado livro "Relacionamento amoroso: como encontrar sua metade ideal e cuidar dela" (Publifolha).

Confira abaixo trechos da entrevista com Ailton para melhorar a satisfação na sua vida amorosa.

Por que tantas pessoas reclamam da dificuldade de encontrar um bom parceiro?
Encontrar um parceiro não é o principal problema. Estatísticas mostram que 90% da população acaba casando em algum momento da vida. Mas percebo que hoje as pessoas têm muita dificuldade de firmar um compromisso. O “ficar” mostrou que as pessoas podem ter intimidade sem compromisso, e todas as fases do relacionamento ficaram mais instáveis. E esta instabilidade vem muito da facilidade com que as pessoas têm hoje quando querem abandonar uma relação. Ficou mais fácil se divorciar, as pessoas moram juntas com mais rapidez, fazem sexo com quem querem na hora que bem entendem. Porém, o “ficar” e a falta de compromisso tendem a ser algo dos jovens. A medida que envelhecem, as pessoas preferem ter alguém para dividir as coisas.
Existe uma hora certa para se separar?
Quem está infeliz em uma relação deve responder honestamente por que quer ficar ou por que quer sair daquela parceria. Não acho que os casais devam desistir do relacionamento no primeiro obstáculo. Dificuldades são naturais e, na imensa maioria das vezes, superáveis. Quem tem filhos sem dúvida deve fazer um esforço maior. No amor, como tudo na vida, existe a relação do custo-benefício. Existe uma corrente na Psicologia que defende que um bom relacionamento deve ter cinco benefícios para cada custo. É lógico que alguns custos nunca vão ser compensados por benefícios, como no caso da violência doméstica e outros tipos de abuso.
Há como prever se uma relação tem mais chance de dar certo ou errado?
Em geral, sim. O casal precisa ser similar em questões como faixa etária, religião, condição econômica, raça e grau de escolaridade. Também é importante escolher alguém que tenha as características pessoais importantes para você. Ninguém muda com facilidade, e é irreal começar uma relação contando que o outro vai se tornar mais sociável, deixar um vício, fazer faculdade e por aí vai. Além disso, ambos devem investir na relação de uma maneira equilibrada. Se um investe muito e o outro não investe nada, mais cedo ou mais tarde vão surgir ressentimentos. Por último, é importante lembrar que divergências acontecem. Mas é sua importância, a frequência com que aparecem e como o casal lida com as questões difíceis é que vão fazer a diferença.
É possível aprender a amar alguém?
Depende. Cada pessoa tem um estilo amoroso e isto dificilmente muda. Ou seja, para uns, é importante sentir aquela paixão logo no primeiro encontro. Para outros, a paixão surge mais devagar. Existem os que gostam de relações tempestuosas e emocionantes, enquanto outros preferem a calmaria. Estes estilos são realmente difíceis de mudar, já que definimos nosso estilo de apego no primeiro ano de vida. Porém, posso dizer que as qualidades do outro demoram a ser conhecidas, é preciso querer investir naquela pessoa para conhecê-la bem. No início, idealizamos demais o outro. Depois, subestimamos o poder do sexo e da intimidade. Quem quer construir uma relação deve ter coragem de entrar com os dois pés na canoa.
Qual seu conselho para quem está pensando em casar?
O namoro é um teste para saber se aquela relação vai dar certo ou não. Nada mais importante para construir a intimidade do que a conversa e a convivência. No geral, “namorados de fim de semana” vão ter mais dificuldade do que aqueles que têm um convívio maior. Mas, se você está na dúvida se quer continuar com aquela pessoa, desaconselho morar junto com o parceiro. Quanto mais tempo morando junto, mais difícil é sair da relação, mesmo quando ela já acabou. Também aconselho esperar o período da paixão passar para marcar o casamento. Casamentos-relâmpago muitas vezes acabam gerando relações problemáticas e tempestuosas.

AGÊNCIA O GLOBO

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Ailton Amelio

Esclarecimentos sobre a reportagem: 1- Abomino qualquer preconceito. Apenas cito um estudo (livro Sex in America) que verificou que maioria dos relacimentos dos americanos acontece entre pessoas similares em idade, escolaridade, raça e religião. Ver o texto completo no meu livro RELACIONAMENTO AMOROSO, Publifolha. 2- Minha aulas não ensinam flerte, escolha de parceiros, etc. Analisamos pesquisas sobre estes temas. 3- Não ensino "truques". Sou um pesquisador sério Ailton Amélio.

07/07/2009 | 20h04 Denunciar

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