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30/06/2009 | 07h59

Corpo e mente precisam de descanso

Para uma vida com menos estresse, inclua atividades prazerosas na rotina cheia de compromissos

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Corpo e mente precisam de descanso Divulgação/
Atividades antiestresse são essenciais para não cair nas armadilhas da rotina Foto: Divulgação
A fuga do estresse começa cedo. Sergio Luiz Klein, 54 anos, levanta por volta das 6h30, três vezes por semana, e vai direto à academia. Lá, encontra o ambiente ideal para carregar as baterias necessárias para enfrentar um dia de executivo. Faz musculação, caminhada e corrida. Além disso, é um dos poucos horários em que consegue conversar com um grupo de amigos. As atribuições do trabalho ficam de lado.

– É como uma terapia. Se não vou, fico com uma sensação de falta de energia. Se vou, fico muito mais animado – conta o engenheiro civil. A ideia de malhar surgiu há dez anos, quando percebeu que o trabalho lhe tomava não só o tempo, mas também a saúde. O incômodo principal era uma dor constante nas costas e nos ombros. Sensação que o acompanhava todos os dias, no escritório ou em casa, atrapalhando a rotina. Ao final dos dias de agenda cheia, as dores também se alastravam para a cabeça. Somado a isso, Klein ainda via o peso aumentar e o cansaço chegar mais cedo, ou seja, o organismo todo sentia os efeitos nocivos do estresse. A tempo, mudou de vida.

Uma pesquisa com mil executivos de Porto Alegre e São Paulo aponta que 86% deles sentem dores musculares e dor de cabeça e 81% sofrem com ansiedade. Em 18% dos casos, o acúmulo da pressão se transforma em explosão de raiva. Os cinco principais motivos apontados foram: excesso de tarefas, medo de demissão, muita responsabilidade e pouca autonomia, conflitos e desequilíbrio entre esforço e gratificação.

Para a coordenadora da pesquisa, a jornalista e Ph.D. em psicologia Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR), o resultado mostra que todo o esclarecimento feito sobre os efeitos nocivos do estresse não está sensibilizando a população.

– As pessoas estão muito comprometidas e com muitas prioridades. É muito difícil que mantenham uma vida saudável, mas uma hora o corpo não aguenta – explica.

Em linhas gerais, o estresse costuma ser prejudicial, mas alguns tipos não são tão nocivos. Um exemplo é o estresse causado pela vida profissional – quando alguém gosta muito do que faz, mas a dedicação intensa dá prazer. Mas um outro tipo é muito voraz, como explica o biomédico Aldo Lucion.

Um, dois, três... dez!

Não são apenas os grandes problemas que provocam estresse. Detalhes pequenos, ao longo do dia, vão derrubando o nível de paciência e calma de qualquer profissional. Que o diga a arquiteta Myrian Cirne Lima, que todos os dias enfrenta uma série de imprevistos em seus projetos. É o cano que estourou, o colocador de piso que ficou doente ou o atraso na entrega de algum material. Para lidar com isso, receitas básicas: ginástica diária e sempre contar até dez.

– Não dá para resolver todas as coisas no calor do momento. Quando os problemas se acumulam, a gente se sente em uma situação desesperadora. Nessa hora, não tem outro jeito – conta. Além de se prevenir contra os contratempos que atravessam seu caminho, Myrian cria ambientes antiestresse nas casas dos clientes. Confortáveis, permitem aliviar a tensão e fogem das características do ambiente profissional.

Uma dica para esse resultado é acertar na iluminação. Como a luz branca chama a pessoa ao trabalho, a opção é adotar luzes mornas, amareladas, que deixam o morador descansado. Móveis ou quadros de família contribuem para um espaço acolhedor, que afasta da pressão do trabalho.

– Também é recomendado fazer uso de plantas nos ambientes residenciais e nos comerciais. Outra dica pode ser instalar internet sem fio na casa. Assim, pode-se trabalhar em locais bem descontraídos, como o jardim ou mesmo a cozinha – sugere.

O recomendável é que essas atitudes sejam acompanhadas de outras medidas.

– Hoje, há muitas prioridades na vida das pessoas, que acabam se vendo em situações estressantes frequentemente. O importante é, mesmo com a correria, manter hábitos saudáveis – explica a Ph.D. em psicologia Ana Maria Rossi. Nessa lista, incluem-se bons hábitos na rotina como atividades físicas e relaxantes regulares, alimentação balanceada, noites de sono restauradoras, relacionamentos estáveis e bons laços familiares, e momentos de lazer, com viagens, passeios e encontros com amigos.

:: Os resultados da pesquisa

Freio depois do susto

Agenda cheia também pode significar momentos de alívio, desde que fora do horário de trabalho. É com essa mentalidade que o executivo e presidente de uma financeira Ricardo Malcon, 59 anos, resolveu levar a vida. Depois de tomar um baita susto, há sete anos – uma tontura e uma dor forte no peito –, resolveu mudar drasticamente o cotidiano.

– Meu médico deixou claro: ou eu puxava o freio, ou morria antes do tempo com aquele ritmo frenético – lembra Malcon.

A receita seguida para viver melhor é o sonho de muita gente. Uma vez por mês, Malcon pega um jipe na garagem e sai fazendo trilhas com os amigos. Tempo ideal para expulsar todo o cansaço do corpo e se aliviar nas conversas prazerosas. Fora as viagens, ele também se reúne duas vezes por semana com o grupo de trilheiros. Outra prática que aprecia muito é o esqui aquático no verão. Se não dá para esquiar por algum motivo, vai jogar golfe. Quatro vezes por semana, dedica-se ao power stretching, para liberar tensões articulares e musculares.

Além das atividades antiestresse, Malcon mantém nove horas diárias de trabalho na financeira, conduz uma empresa de consultoria e ocupa cargos de diretoria em outras entidades.

– O estresse está sempre presente, mas temos de encontrar meios de ficar mais tranquilos. Temos de nos dedicar a essa meta e não entrar nas armadilhas sufocantes da rotina – diz.

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