Compulsões são comportamentos ou pensamentos repetitivos realizados com a intenção de aliviar algum desconforto físico, um medo ou uma ansiedade. Mesmo sendo atos voluntários, tornam-se irresistíveis e fora de controle. É uma agitação irracional que transforma tarefas rotineiras em ações obrigatórias e exaustivas. Comer e lavar as mãos, por exemplo, viram hábitos frequentes e exagerados. Quem sofre com compulsão come além da conta ou lava as mãos seguidamente, dezenas de vezes ao dia, sem necessidade. O resultado não poderia ser outro além da frustração, da vergonha e do medo de nunca se livrar da doença.
As compulsões se apresentam de várias formas a mania de colecionar coisas inúteis, como jornais velhos e caixas vazias, sem que o paciente consiga jogá-las fora. A lista passa por arrancar os cabelos (tricotilomania), tomar banho por quatro ou cinco horas ininterruptas ou se obrigar a rezar 10 vezes antes de dormir. Um caso extremo foi retratado no filme Melhor É Impossível, em que o personagem representado pelo ator Jack Nicholson utilizava vários sabonetes para lavar as mãos quando chegava em casa ou durante o banho e tinha dificuldades em pisar nas divisas das lajotas das calçadas.
Mas apenas os casos extremos sinalizam doença? Não. Há vários níveis de compulsão. Porém, para diferenciar a enfermidade de manias cotidianas, comuns a qualquer um, é preciso focar as atenções nas consequências. Se fazem a pessoa perder muito tempo por dia em apenas uma tarefa, se trazem uma sensação de descontrole ou impotência e se acarretam problemas de relacionamento familiar, algo pode estar errado. Nessa hora, nada melhor do que procurar um especialista.
Em linhas gerais, é preciso saber se a compulsão resulta em prejuízos sérios para a vida da pessoa. A partir do reconhecimento, por parte do paciente, de que tais comportamentos são excessivos e lhe causam prejuízos, é que se torna possível o tratamento explica Aristides Cordioli, professor de psiquiatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
O problema nunca vem sozinho. Costuma ser precedido por medo, angústia e insegurança. Segundo a psiquiatra Luciana Nerung, da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, quem sofre com ansiedade costuma sentir alívio durante a compulsão.
Por causa da ansiedade, o paciente tem mais dificuldade de controlar o impulso ressalta.
Outro caso é o de depressão pós-parto. Mães inexperientes e inseguras podem se preocupar excessivamente com os filhos. Um exemplo é deixar de dormir para verificar se o bebê, minuto a minuto, se está respirando.
Novas manias
Com a disseminação dos computadores e do acesso à internet, algumas compulsões surgiram e outras mudaram de cara. Uma delas é o colecionismo, a mania de se guardar qualquer coisa por muito tempo, como jornais, revistas e cartas velhas, sem conseguir se desfazer. No mundo virtual, essa prática foi estendida aos e-mails.
Segundo o psiquiatra Aristides Cordioli, algumas pessoas não conseguem se desfazer de nada que recebem pela caixa do e-mail. Ficam guardando mensagens por muito tempo, sem ter coragem de apagá-las. Além disso, outra prática comum é baixar qualquer programa da internet, durante muitas horas.
Acontece muito com música. A pessoa passa o dia baixando sem nem se interessar. Com o tempo, nem sabe mais o que baixou ou que músicas tem no computador exemplifica.
Hábito que pode ser potencializado pela compulsão por internet. Nesse caso, o usuário passa muito tempo conectado. Quando está fora do computador, a mente é ocupada por um único pensamento: fazer o login (comando de acesso à rede), como explica a psiquiatra Carla Bicca, da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul.
O paciente perde a noção do tempo quando está na internet e deixa a vida fora do mundo virtual de fora. Negligencia família e prefere fazer amizades online. Deixa de lado até mesmo cuidados com a saúde diz Carla.
Confira algumas das técnicas terapêuticas utilizadas por especialistas em diferentes casos de compulsão:












