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07/04/2009 | 10h55

Executivas têm dificuldade de manter um relacionamento estável

Pesquisa indica que falta de tempo é obstáculo para manter uma relação

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Executivas têm dificuldade de manter um relacionamento estável divulgação sxc.hu /
Mulheres têm dificuldade de abandonar a competição na vida pessoal Foto: divulgação sxc.hu

Quanto mais a mulher trabalha, maior a insatisfação com sua vida amorosa, indica pesquisa feita pela Fundação Dom Cabral. Foram avaliadas cerca de 1.200 executivos e executivas de 344 grandes empresas brasileiras, que responderam perguntas sobre a vida afetiva, família, saúde, inseguranças e sonhos.

O resultado aponta que o excesso de trabalho não parece afetar a vida amorosa dos funcionários do sexo masculino, mas tem grande impacto na vida pessoal das mulheres. A falta de tempo para se dedicar ao parceiro é o principal obstáculo para elas na hora de manter uma relação equilibrada, explica a pesquisadora Betania Tanure, que coordenou a pesquisa.

Mais da metade das profissionais em cargos executivos (65%) afirma gastar cerca de 70% do tempo com o trabalho, e oito em cada 10 mulheres estão insatisfeitas com esta constatação. Quase 58% das mulheres afirmam sentir que seus parceiros estão infelizes na relação a dois.

Para a psicoterapeuta Rose Avello, especialista em sexualidade, uma possível explicação para este resultado seria que as executivas têm dificuldade de abandonar a competição na vida pessoal.

– As pessoas passam a maior parte do tempo treinando e desenvolvendo uma atitude competitiva, são estimuladas a reprimir sentimentos e emoções. Quando estão num relacionamento afetivo não sabem mais que atitudes devem ter nem como agir, pois não tem acesso aos sentimentos para orientá-los – explica Rose.

Para ela, mulheres com carreiras de sucesso podem, inconscientemente, temer a entrega afetiva e sentir vontade de sempre manter o controle da situação.

– As pessoas tornam-se insensíveis ao outro e interpretam as necessidades do outro como 'cobranças'. Os sentimentos são facilmente negados e não há entrega afetiva. As pessoas querem 100% de certeza de que o 'negócio' vai dar certo. Além disso, o jogo de manipulação e controle que surte efeito positivo no mundo dos negócios é uma tragédia na vida afetiva. Por passar a maior parte da vida treinando esse tipo de relação, as pessoas tendem a agir da mesma forma em seus relacionamentos afetivos. Competitividade não condiz com amor e afeto. Não dá pra ser feliz assim – completa.

Agência O Globo

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