Em território neutro22/01/2014 | 00h14

Genebra II, conferência sobre a paz na Síria, começa nesta quarta-feira

Reunidos na Suíça, governo e oposição sírios se encontram para dialogar diante de 40 países e de organizações internacionais

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Palco de um tradicional festival de jazz da Europa, Montreux, às margens do lago Léman, na Suíça, reunirá nesta quarta-feira lados opostos de um dos conflitos mais fratricidas das últimas décadas, que já deixou 130 mil mortos.

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O clima é de ceticismo, e são poucas as chances de que a paz seja selada entre o regime de Bashar al-Assad e a oposição – já será um grande passo se as partes conseguirem conversar.

Novos relatos de atrocidades foram divulgados na terça-feira sob encomenda do governo do Catar, que apoia a oposição síria. Segundo relatório publicado pela rede CNN e pelo jornal The Guardian, o regime de Damasco matou 11 mil presos. A denúncia foi elaborada por três ex-procuradores internacionais com base no testemunho de um desertor da polícia militar síria, que reuniu 55 mil fotos digitais. Os presos morreram em cativeiro e foram fotografados em hospitais militares.

– As fotos lembram as vítimas dos campos de concentração nazistas – afirmou um dos autores do texto, Desmond de Silva, publicado pela rede de TV CNN e pelo jornal The Guardian.

As denúncias expõem a dificuldade de se conseguir um diálogo. Foram oito meses de tentativas para costurar o encontro desta quarta-feira. Na terça-feira, ainda reverberava a polêmica de o Irã ter sido convidado e desconvidado em um intervalo de 24 horas, uma vez que a oposição se nega a conversar na presença do país que fornece ajuda à Síria.

Um dos maiores entraves às negociações é o fato de a oposição estar representada apenas em parte com os integrantes da Coalizão Nacional Síria. Os grupos mais fortes no campo de batalha, islâmicos moderados e radicais, recusam o diálogo – o que tornaria inócuo, por exemplo, um cessar-fogo.

O segundo maior obstáculo é a insistência de Al-Assad em concorrer nas próximas eleições, enquanto os opositores consideram como pré-requisito para qualquer acordo o afastamento do presidente.

– Tentamos garantir que, pelo menos, estejam dispostos a negociar de boa fé – afirmou, em tom de resignação, Farhan Haq, porta-voz da ONU.

Após quase três anos de conflito, o governo sírio ganha força na medida em que se compromete a destruir armas químicas e em que os jihadistas com ligações à Al-Qaeda tomam conta da oposição, o que afasta dos rebeldes países como os Estados Unidos.

– De alguma forma, Al-Asssad garante algum tipo de estabilidade na região, e a opção a ele é mais complexa – analisa o cientista político Leonardo Paz, do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI).

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