Registro polêmico12/12/2013 | 09h34

Fotógrafo conta a história por trás do "selfie" de Barack Obama

Leia na íntegra artigo escrito pelo autor da imagem que gerou repercussão nas rede sociais por supostamente causar ciúme na primeira-dama dos Estados Unidos

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Fotógrafo conta a história por trás do "selfie" de Barack Obama Roberto Scmidt/AFP
Foto: Roberto Scmidt / AFP
Tradução: Diogo Puhl Pereira

diogo.pereira@gruporbs.com.br

Depois da grande repercussão na terça-feira de uma foto que mostrava uma suposta cena de ciúme de Michelle Obama durante homenagem a Nelson Mandela, o autor da imagem, o fotojornalista Roberto Schmidt, escreveu um artigo contando a "história por trás do selfie" que tomou as redes sociais e os noticiários do mundo inteiro.

Saiba mais:

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Abaixo, leia na integra o texto escrito pelo fotógrafo Roberto Schmidt:

A história por trás do "selfie"

Por Roberto Schmidt

Então aqui está a foto, minha foto, que rapidamente tomou as redes sociais e sites de notícias do mundo todo. O "selfie" de três líderes mundiais que, durante a despedida de Nelson Mandela na África do Sul , brincaram como crianças, em vez de se comportar com a seriedade e a tristeza que se poderia esperar.

Em geral, neste blog, fotojornalistas contam a história por trás de uma imagem registrada por eles. Eu fiz isso para as fotos tiradas no Paquistão e na Índia, onde é minha base. E aqui estou eu de novo, mas desta vez a imagem vem de um estádio em Soweto, e mostra pessoas que batem fotos de si mesmas. Eu acho que é um sinal dos nossos tempos que, de alguma forma, esta imagem chame mais a atenção do que o próprio evento. Vai entender.

De qualquer forma, eu cheguei na África do Sul junto com vários outros jornalistas da AFP para cobrir a despedida e o enterro de Nelson Mandela. Estávamos no estádio Soccer City, em Soweto, sob uma chuva torrencial. Eu estava lá desde o raiar do dia e quando tirei a foto a cerimônia memorial já ocorria há mais de duas horas.

No púlpito, Obama qualificou Mandela como um "gigante da história que moveu uma nação à justiça". Após seu eufórico elogio, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos sentou-se cerca de 150 metros à minha frente. Ele estava cercado por outros dignitários estrangeiros e eu decidi seguir os seus movimentos com a minha lente 600mm.

Então, Obama tomou seu lugar em meio a líderes vindos de todos os cantos do mundo. Entre eles estava o primeiro-ministro britânico, David Cameron, assim como uma mulher que eu não era capaz de identificar imediatamente. Mais tarde eu soube que era a primeira-ministra dinamarquesa, Helle Thorning Schmidt. Eu sou um alemão-colombiano que vive na Índia, então não me sinto mal por não a ter reconhecido! Na hora, pensei que ela era uma entre os muitos funcionários de Obama.

De qualquer forma, de repente essa mulher pegou o telefone celular e tirou uma foto de si mesma, sorrindo ao lado de Cameron e do presidente dos EUA. Eu capturei a cena reflexivamente. Tudo ao meu redor no estádio — sul-africanos dançando, cantando e rindo para honrar seu líder morto — era mais como uma atmosfera de carnaval, nem um pouco mórbida. A cerimônia já tinha seguido por duas horas e duraria mais duas. A atmosfera era de total relaxamento — eu não via nada de indecoroso no meu visor, presidente dos EUA ou não. Estamos na África.

Mais tarde eu li em mídias sociais que Michelle Obama parecia estar bastante irritada vendo a primeira-ministra dinamarquesa tirando a foto. Mas as fotos podem mentir. Na verdade, alguns segundos antes, a primeira-dama estava rindo com as pessoas em volta, incluindo Cameron e Schmidt. Seu olhar severo foi capturado por acaso.

Eu tirei essas fotos totalmente espontâneas, sem pensar no impacto que elas podiam ter. Naquele momento, eu acho que os líderes mundiais estavam simplesmente agindo como seres humanos, como eu e você. Eu duvido que alguém poderia permanecer totalmente inflexível ao enfrentar aquela cerimônia, enquanto dezenas de milhares de pessoas comemoravam no estádio. Para mim, o comportamento desses líderes tirando uma "selfie" parece perfeitamente natural. Não vejo nada do que reclamar, e provavelmente teria feito o mesmo em seus lugares.

A equipe da AFP trabalhou duro para mostrar a reação dos africanos em relação ao falecimento de alguém que eles consideravam um pai. Tiramos cerca de 500 fotos tentando retratar os seus verdadeiros sentimentos, e esta imagem aparentemente trivial se sobressaiu muito em comparação a esse trabalho coletivo.

Foi interessante ver os políticos de uma forma humana, porque geralmente quando os vemos, estão em um ambiente controlado. Talvez isso não teria sido um problema se nós, como imprensa, tivéssemos mais acesso às personalidades e fôssemos capazes de mostrar que eles são seres humanos como o resto de nós.

Confesso também que me deixa um pouco triste o fato de estarmos tão obcecados por trivialidades rotineiras, em vez de coisas de real importância.

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