Despedida14/12/2013 | 13h19

Corpo de Mandela chega ao vilarejo de Qunu, onde será enterrado

Passagem de cortejo fúnebre causou comoção nas cidades próximas

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Corpo de Mandela chega ao vilarejo de Qunu, onde será enterrado GIANLUIGI GUERCIA/AFP
Corpo de líder africano será enterrado no domingo Foto: GIANLUIGI GUERCIA / AFP
Vivian Eichler, enviada especial a Mthatha

vivian.eichler@zerohora.com.br

O caixão com o corpo do líder sul-africano Nelson Mandela chegou neste sábado à tarde a Qunu, o vilarejo onde passou a infância e onde será enterrado no domingo. O carro que transportava o caixão chegou às 16h (12h de Brasília) em Qunu, onde 300 pessoas esperavam nos dois lados da estrada para prestar o último tributo a Mandela, que faleceu em 5 de dezembro aos 95 anos.

No caminho, o cortejo causou comoção entre a população. Em coro repetindo insistentemente "Onde Madiba está, não o vemos, onde Madiba ficou, onde ele está?", moradores da cidade de Mthatha esperaram durante horas neste sábado para ver o cortejo fúnebre ao ex-presidente. Com o trânsito caótico e as rodovias trancadas, Mthatha está vestida para se despedir do líder. É difícil ver um poste sem alguma foto, algum cartaz afixado com o rosto do homem que passou 27 anos na prisão e, pouco depois de ser libertado, tornou-se o primeiro presidente negro do país.

- Este dia é como o dia da morte de nosso Deus- comenta Nonceba Setinane, 53 anos, vendedora de roupas, que se orgulha da simplicidade do ilustre conterrâneo.

A atmosfera, porém, não era apenas de celebração pela vida do líder, mas de indignação pelas restrições ao funeral.

- Mandela é daqui, ele é de Qunu (vilarejo a 30 quilômetros de Mthatha, onde Mandela será seputaldo com familiares). Por que não nos deixam vê-lo? - dizia, desesperado, Kanya Ntshangwona, 19 anos, estudante de relações públicas na Universidade Walter Sisulo, que recebe o nome de outro ícone da luta contra o apartheid, companheiro de Mandela.

Um avião da Força Aérea Sul-Africana desembarcou por volta de 13h30min (9h30min) em Brasília no aeroporto de Mthatha, mas o cortejo fúnebre apenas chegou à cidade cerca de 15h, levando a população ao delírio. Enquanto os sinos da catedral tocavam, durante breves segundos, quem estava atrás do cordão de isolamento humano, pode ver o carro preto, envidraçado, onde era transportado o caixão coberto pela bandeira da África do Sul.

Corpo de Mandela segue para local do enterro

Confira página especial sobre a morte de Mandela

População de Mthatha aguarda passagem de cortejo

Além de dezenas de veículos militares, incluindo blindados, uma fila de carros transportava autoridades, incluindo o presidente Jacob Zuma.

Na tradição Xhosa, funerais são acontecimentos sociais mais importantes do que qualquer outra celebração, como casamentos. É o momento de reunião dos familiares, por isso muitos reclamam da exclusão dos povo da terra onde ele passou a juventude - o lugar onde ele nasceu, Kumvezo, também não fica longe, menos de cem quilômetros de Mthatha.

Após a reabertura da avenida, grupos marchavam e dançavam em procissão, dando adeus a Madiba.

O corpo foi levado diretamente a Qunu, onde Mandela construiu uma confortável casa e para onde fugia da agitação de Joanesburgo.

A estrada que leva a Qunu está totalmente engarrafada, com trânsito como no horário de pico das grandes cidades brasileiras. Pelo acostamento, a peregrinação continua. O enterro está previsto para ocorrer amanhã ao meio-dia.

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