Limpeza no Vaticano06/03/2013 | 18h00

Vítimas de pedofilia na Igreja divulgam lista negra de papáveis

Associação se opõe a eleição de membros da Cúria romana, a administração da Santa Sé

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Uma associação americana de vítimas de abusos sexuais por padres pedófilos publicou, nesta quarta-feira, uma lista negra de doze possíveis candidatos a Papa e exortou à Igreja Católica a levar a sério a proteção das crianças, a ajuda às vítimas e as denúncias de corrupção.

"Queremos dizer aos prelados católicos que deixem de fingir que o pior já passou" sobre o escândalo de pedofilia dentro da Igreja, declarou David Clohessy, diretor da Rede de Sobreviventes de Abusados por Padres (Snap, na sigla em inglês).

"Tragicamente, o pior com certeza ainda estar por vir", indicou Clohessy, ao acrescentar que a verdade dos abusos e encobrimentos "generalizados há muito tempo e profundamente arraigados ainda não chegou à superfície na maioria das nações".

A organização citou uma dúzia de cardeais da Argentina, Austrália, Canadá, Estados Unidos, Gana, Honduras, Itália, México e República Tcheca acusados de proteger os padres pedófilos ou por realizar declarações defendendo os padres ou minimizando a situação.

Todos eles são considerados candidatos a sucessão do Papa Bento XVI, muito criticado pela forma como conduziu os escândalos.

A Snap também se opõe à eleição de qualquer membro da Cúria romana, a administração da Santa Sé.

"Acreditamos que ninguém de dentro do Vaticano tem verdadeira vontade de 'limpar a casa' no Vaticano ou em outras partes", indicou Clohessy em um comunicado.

"Promover um membro da Cúria desencorajaria as vítimas, as testemunhas, os denunciantes e seus defensores a relatar más condutas", ressaltou.

A lista negra inclui os seguintes cardeais: Leonardo Sandri, da Argentina; George Pell, da Austrália; Marc Ouellet, do Canadá; Timothy Dolan (Nova York), Sean O'Malley (Boston) e Donald Wuerl (Washington), dos Estados Unidos; Peter Turkson, de Gana; Oscar Rodríguez Maradiaga, de Honduras; Tarsicio Bertone e Angelo Scola, da Itália; Norberto Rivera Carrera, do México; e Dominik Duka, da República Tcheca.

Três bispos dos Estados Unidos estão na lista por não proteger os paroquianos dos agressores sexuais conhecidos e enfraquecer os esforços de reforma em suas jurisdições: os cardeais Dolan (Nova York), Wuerl (Washington) e O'Malley (Boston).

Outros foram incluídos na lista por questões mais explícitas.

Por exemplo, o cardeal Peter Turkson, de Gana, figura por afirmar que havia poucos clérigos acusados de abusos de crianças na África porque ali não se toleravam gays.

O cardeal Dominik Duka, da República Tcheca, foi incluído por afirmar que somente 10% das acusações contra sacerdotes foram comprovadas.

Os esforços para manter o sigilo em vez de comunicar os abusos à polícia também foram condenados.

É o caso do cardeal mexicano Norberto Rivera Carrera, que está na lista por haver declarado que não há casos "documentados" de abuso contra menores de idade no México e por supostamente encobrir múltiplas acusações de abuso sexual infantil.

Leonardo Sandri, da Argentina, publicamente apoiou um pedófilo mexicano notório, o padre Marcial Maciel.

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