Escolha do papa13/03/2013 | 16h38Atualizada em 14/03/2013 | 02h45

Sentimento de frustração em Cerro Largo

Com a escolha de Jorge Mario Bergoglio, as pessoas que torciam por dom Odilo Scherer não esconderam o desapontamento

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Sentimento de frustração em Cerro Largo Diego Vara/Agencia RBS
Acaba a torcida de 150 pessoas por dom Odilo na Igreja Matriz de Cerro Largo Foto: Diego Vara / Agencia RBS
No dia que se transformou no centro das atenções católicas no Rio Grande do Sul — e talvez no Brasil — Cerro Largo, cidade de 13 mil habitantes da região das Missões, viveu um sentimento de frustração. Dom Odilo Scherer, natural do município, foi preterido, no conclave, pelo argentino Jorge Mario Bergoglio para ser o novo Papa. O desapontamento pela escolha foi evidente na Igreja Matriz, onde cerca de 150 pessoas assistiram ao anúncio oficial.

A partir do momento que a fumaça branca saiu da chaminé da Capela Sistina, no Vaticano, houve um pequeno frisson na área central. Diversas pessoas acompanharam a correria de equipes de imprensa para dentro do salão paroquial e entraram no local, onde estava instalado um telão. Alunos de uma escola localizada ao lado da igreja também foram levados ao local.

Os 62 minutos entre a confirmação da escolha de um eleito e o anúncio de seu nome foram de grande expectativa. Uma faixa foi aberta entre as pessoas, para lembrar do local de nascimento de dom Odilo.

Quando finalmente foi apresentado o novo Papa, a primeira reação foi de silêncio. Adultos por entender — e crianças por não entender — fixaram os olhos na tela. Após um minuto, alguns aplausos. Depois, a retirada em massa do público. Sem lágrimas, mas sem sorrisos.

— Quando criamos a expectativa real, sincera, claro que a negativa nos frustra. Mas o importante é a Igreja ter feito a escolha certa. Agora, tenho uma certeza: esse dia foi um marco para Cerro Largo — comentou o vice-prefeito Carísio Roque Schmidt, que estava no salão paroquial.

Para ele, os últimos três dias foram singulares na história da cidade. Com os olhos do País voltados para o município, a ideia é aproveitar o momento para divulgar a região.

— A população brinca: ganhamos um campus da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Seriam dois milagres se o dom Odilo fosse eleito — disse.

Entre os parentes, o sentimento de frustração ficou evidenciado. Rosane Scherer, prima do arcebispo de São Paulo, manteve a esperança em uma futura eleição:

— Nós rezamos, pedimos, torcemos, mas ele não foi o escolhido. É uma pena. Mas o Odilo é jovem, poderá ser ainda, um dia. Vamos orar agora para que a Igreja tenha feito a escolha certa. Nossa fé não se abala.

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