Ensinamentos adquiridos há mais de 15 anos voltaram à tona nas últimas semanas para o professor de ensino religioso do Colégio Madre Bárbara, de Lajeado, Anildo Giacobbo. Na década de 1990, quando cursou Teologia em Buenos Aires, jamais imaginou que um de seus mestres se tornaria dono do posto máximo da Igreja Católica.
Mesmo tendo se formado na Universidade de Filosofia e Teologia de São Miguel, Giacobbo desistiu de se tornar padre. Formou-se ainda em Sociologia no Chile e em Filosofia em Curitiba, e optou pela carreira escolar no Vale do Taquari.
No entanto, aos 56 anos, ele olha para trás e afirma que os conhecimentos transmitidos pelo então bispo Jorge Mario Bergoglio nas disciplinas “Ministério de Deus” e “História da revelação” fizeram diferença em sua vida.
— Foi apenas um mês de aula com ele, mas aprendi muito sobre as bases filosóficas da Teologia e carrego comigo até hoje, tentando transmitir essas bases complexas aos meus alunos — afirma o professor, que atualmente também trabalha na secretaria municipal de Educação de Lajeado.
Segundo ele, Bergoglio era muito famoso como teólogo. Conceituado, escrevia para diversas revistas que foram responsáveis por disseminar seus estudos.
— Ele era muito simpático e profundo em suas aulas. Seu método de estudo era feito através de teses, antítese e síntese. Ou seja, toda a afirmação de uma verdade deveria sofrer a crítica da antítese, passar prova da lógica racional — explica Giacobbo.
Embora fosse apenas um entre inúmeros estudantes, ele lembra que se apresentou a Bergoglio como um estudante do Brasil e recebeu, em resposta, um livro. O exemplar de “Retiro de Santo Inácio” não foi autografado pelo atual papa Francisco, mas o professor de Lajeado guarda a obra com muito carinho, principalmente agora, em que vê no novo pontífice uma oportunidade de valorização da América Latina e da religião nesse canto no mundo.









