Luto07/03/2013 | 18h27Atualizada em 08/03/2013 | 06h13

Presidente interino anuncia que velório de Chávez dura mais uma semana

Corpo será embalsamado, e não enterrado, de acordo com Nicolás Maduro

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Presidente interino anuncia que velório de Chávez dura mais uma semana Presidência da Venezuela/AFP
Dilma Rousseff e Lula prestaram, emocionados, seus respeitos a Chávez Foto: Presidência da Venezuela / AFP

O corpo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, ficará exposto por mais sete dias em um quartel, e será embalsamado "como Lênin", disse esta quinta-feira o presidente interino, Nicolás Maduro.

Os restos mortais de Chávez deveriam permanecer expostos na Academia Militar, em Caracas, até os funerais, previstos para esta sexta-feira, mas Maduro argumentou que milhões de pessoas querem vê-lo e por isso ficará exposto por mais uma semana no quartel de onde liderou um golpe de Estado fracassado, em 1992.

— O corpo do presidente Chávez será embalsamado como Ho Chi Minh, Lenin e Mao — disse Maduro, após anunciar que os restos mortais serão exibidos durante ao menos "sete dias" no Quartel de la Montaña, no oeste de Caracas.

Maduro explicou que após o funeral de Estado, previsto para esta sexta-feira, às 15h30min (12h30 em Brasília), o corpo de Chávez seguirá para o Quartel de la Montaña, situado no bairro 'chavista' de 23 de Janeiro, no oeste da capital.

"Ali o 'comandante' terá seu primeiro local de repouso histórico", enquanto espera "o momento de dar outros passos como o povo exige", disse Maduro, em referência ao clamor popular para sepultá-lo no Panteão Nacional, junto ao libertador Simón Bolívar.

Maduro explicou que no Quartel de la Montaña, que hoje abriga o Museu da Revolução Bolivariana, o corpo de Chávez poderá ser visto pelo povo por ao menos "mais sete dias".

O presidente interino admitiu que a maré humana que desde a quarta-feira tenta chegar à Academia Militar de Caracas, onde está a câmara-ardente com o corpo do 'comandante', provocou a decisão de mantê-lo em exposição por mais tempo.

Segundo Maduro, mais de dois milhões de pessoas tentam dar o último adeus a Chávez e milhares avançavam lentamente nesta quinta-feira em uma fila de quilômetros em direção à Academia Militar, sob um sol inclemente.

O ministro da Comunicação, Ernesto Villegas, garantiu que todos poderão ver o corpo.

— Não vou desistir, mesmo que fique doente de tanto esperar para vê-lo — disse  Pedro Yánez, funcionário da prefeitura de Ciudad Piar, que deixou esposa e três filhos para viajar a Caracas e se despedir de Chávez.

— Fiquei muito impressionado ao vê-lo, me vieram todas as lembranças do que conseguimos ao longo de 14 anos graças a ele — revelou Chanel Arroyo, um motorista de 34 anos.

Chávez está em um caixão de madeira, vestido com uniforme verde oliva e a emblemática boina vermelha. O presidente tem o rosto sereno sob o vidro do caixão, coberto parcialmente com a bandeira da Venezuela, e sobre seu peito há uma faixa vermelha com letras douradas formando a palavra "Milícia", em referência ao corpo armado de 120 mil civis que o presidente formou.

Os visitantes devem deixar seus telefones celulares na entrada e fotos estão proibidas. A TV estatal mostra imagens do caixão, mas não revela o rosto de Chávez, morto por um câncer aos 58 anos.

Ao menos 33 chefes de Estado e de governo assistirão ao 'funeral de Estado' de Chávez na Academia Militar de Caracas, informou o chanceler Elias Jaua.

A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva — grande amigo de Chávez — cumprimentaram um a um os familiares de Chávez presentes na câmara-ardente nesta quinta-feira.

O líder cubano, Raúl Castro, entrou no Salão da Academia acompanhado de Nicolás Maduro e de imediato cumprimentou a filha mais velha de Chávez, Rosa Virginia, e a mãe do finado presidente, Elena.

Outro grande aliado de Chávez, o presidente do Equador, Rafael Correa, abraçou a mãe do 'comandante', seus demais familiares e os mandatários presentes.

Nas próximas horas são aguardados o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, o bielo-russo Alexander Lukashenko, o chileno Sebastián Piñera e o herdeiro da Coroa espanhola, o príncipe Felipe de Borbón, entre outros.

Os presidentes de Argentina, Cristina Kirchner, Uruguai, José Mujica, e Bolívia, Evo Morales, foram os primeiros a chegar à Venezuela, na quarta-feira, comparecendo ao Salão de Honra da Academia para velar o corpo de Chávez.

Kirchner voltou à Argentina nesta quinta, mas deixou seu chanceler, Héctor Timerman.

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