A linha de ação13/03/2013 | 22h32

O que pensa e defende o Papa

Confira as opiniões do pontífice a respeito de temas considerados prioritários por ele

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O que pensa e defende o Papa  Filippo Monteforte/AFP
Jorge Bergoglio na sua primeira aparição como Papa, nesta quarta-feira Foto: Filippo Monteforte / AFP

As opiniões emitidas pelo novo papa o resumem como um religioso conservador do ponto de vista da sexualidade, mas progressista em relação à preocupação com problemas sociais e a pobreza. Confira abaixo:

Uma Igreja próxima dos fiéis

Defende uma igreja mais próxima dos fiéis. Declarou que "precisamos evitar a doença espiritual de uma igreja autorreferencial (...). É verdade que, quando você sai à rua, como qualquer homem ou mulher, podem ocorrer acidentes. De qualquer maneira, se a igreja permanecer fechada em si, autorreferencial, envelhece. Entre uma igreja que sofre acidentes na rua, e uma igreja doente porque é autorreferente, prefiro a primeira."

Contrário ao casamento gay

É contrário à união de pessoas do mesmo sexo. Sofreu uma derrota política quando o parlamento argentino aprovou um projeto de lei do Partido Socialista, apoiado pela presidente Cristina Kirchner, que permitiu o casamento gay. Na véspera da votação, havia substituído o tom sóbrio por um sermão incisivo contra o projeto. A aprovação chegou a provocar comentários de que isso poderia enfraquecer sua imagem.

Adoção por homossexuais

O novo pontífice entrou em rota de conflito com a presidente argentina, Cristina Kirchner, ao criticar duramente a adoção de crianças por casais gays. Segundo Jorge Mario Bergoglio, então arcebispo de Buenos Aires, esse tipo de iniciativa sujeitava os meninos e meninas adotados à "discriminação". A presidente respondeu de maneira incisiva, afirmando que esse tipo de postura lembrava os tempos "medievais" da igreja.

Desigualdade e dívida social

É um dos temas mais caros para o argentino. Em agosto do ano passado, exortou a população a se indignar contra a injustiça de que "o pão e o trabalho não cheguem a todos". Declarou: "Na vida há muitos que puxam cada um para seu lado, como se alguém pudesse ter uma bênção só para si ou para um grupo. Isso não é uma benção, mas uma maldição". Inúmeras vezes, se referiu à "imoral, injusta e ilegítima dívida social".

Drogas, álcool e "as trevas"

Para Francisco, o uso de entorpecentes e a violência estão entre os grandes problemas da atualidade. Em discurso, considerou que as drogas, incluindo o álcool, são "o atalho fácil", "as trevas". Disse: "Não temos ideia da gravidade que é esta proposta tenebrosa, esta corrupção que chega inclusive a se espalhar pelas esquinas das escolas". Em relação à violência, pediu proteção às pessoas que precisam sair à rua sob risco frequente.

Crítico ferrenho ao aborto

Seguindo a linha de seus antecessores no Vaticano, João Paulo II e Bento XVI, o papa Francisco não admite a interrupção da gravidez. Conforme o vaticanista John Allen, Jorge Mario Bergoglio se notabilizou como um crítico ferrenho do aborto. Embora seja um dos temas mais polêmicos da atualidade, não deverá haver mudança de orientação por parte do Vaticano nos próximos anos.

Exploração do trabalhador

O argentino se preocupa com a exploração de trabalhadores, o tráfico de pessoas e a prostituição. Em um pronunciamento recente, afirmou que "a escravidão não está abolida. Está na ordem do dia na cidade (...). Exploram-se trabalhadores em estabelecimentos clandestinos e, se são imigrantes, se priva a possibilidade de saírem". Lamentou ainda que mulheres e meninas sejam sujeitadas ao "uso e abuso" do próprio corpo.

Camisinha, só se houver aids

Como conservador em questões ligadas à moral e à sexualidade, o novo papa considera os métodos contraceptivos uma forma de banalizar a sexualidade. Porém, já afirmou que o uso da camisinha poderia ser "tolerado" com a intenção de frear infecções como o vírus HIV. A aids é um assunto que preocupa Bergoglio, que em 2001 visitou um hospital onde lavou e beijou os pés de 12 pacientes da doença.

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