Polêmica07/03/2013 | 15h14

Imprensa italiana retoma "Vatileaks" às vésperas do conclave

Segundo o jornal La Repubblica, 25 pessoas ajudaram no vazamentos de documentos do Vaticano

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Vinte homens e mulheres do Vaticano, prelados e leigos, ajudaram a alimentar o escândalo do vazamento de documentos, o "Vatileaks", segundo afirma o jornal italiano La Repubblica, enquanto os cardeais se preparam para escolher um novo Papa.

Durante o julgamento do mordomo de Bento XVI, Paolo Gabriele, em outubro, a tese de um homem que agiu sozinho foi sustentada pelo tribunal do Vaticano, que o condenou a 18 meses de prisão, antes de o Papa conceder o seu perdão. "Se ajudamos a conseguir os documentos do apartamento do Papa, com a ajuda de Paolo Gabriele, foi para realização de uma operação de transparência", declarou ao jornal uma pessoa "muito religiosa e fiel à Igreja", apresentada como um religioso em um café do bairro Parioli, em Roma.

A entrevista desta pessoa anônima, cuja autenticidade e a capacidade de falar sobre os segredos do Vaticano ainda não foram comprovadas, é revelada em meio à realização das "congregações gerais" no Vaticano.

Aparentemente, a governança do Vaticano tem sido muito debatida entre os cardeais. Os prelados da Cúria estão sendo pressionados a dar explicações. O jornal La Stampa informou por sua vez que um prelado pediu durante a "última congregação", os nomes de dois leigos envolvidos no caso dos documentos vazados, que são citados no relatório secreto escrito por três cardeais aposentados.

La Repubblica já havia publicado, antes da renúncia do Papa, artigos evocando um suposto "lobby gay" no Vaticano, o que foi negado vigorosamente. O relatório confidencial sobre o Vatileaks deve ser entregue ao sucessor de Bento XVI, mas o seu conteúdo será tratado durante as "congregações".

A fonte citada pelo La Repubblica indica que algumas das pessoas que ajudaram Gabriele fazem parte da hierarquia do Vaticano. Ela também sabe os nomes dos bispos e leigos do suposto "lobby gay", que é mencionado no relatório. Segundo esta fonte, o Papa "não renunciou por causa do Vatileaks ou por pressão". "Sua renúncia foi um desafio, a fim de que se cumpra o que ele não conseguiu fazer: uma Igreja livre, forte e transparente", disse ela. "Muitos cardeais querem ter acesso a este relatório. Mas há uma tentativa daqueles que querem bloquear tudo. Eles desencadearam uma caça às bruxas", acrescentou a mesma fonte. Quando o novo Papa for eleito, "eu espero não haver a necessidade de corvos". Tudo dependerá, segundo ela, do Papa eleito e do próximo secretário de Estado.

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