Segurança do Papa19/03/2013 | 16h05

Espontaneidade de Francisco é um quebra-cabeças para seguranças

A espontaneidade do papa, que quebra com frequência o protocolo para saudar os fiéis ou beijar um bebê, é um desafio e um quebra-cabeças para seus serviços de segurança

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A famosa Guarda Suíça e a Gendarmeria do Vaticano, que se ocupam da segurança dos pontífices, terão que se acostumar: o primeiro papa latino-americano da história reafirmou desde o primeiro dia sua vontade de continuar sendo espontâneo e nega-se a se fechar entre seus guarda-costas para estar perto do povo.

O jornal italiano Il Fatto Quotidiano registrou que "papa Francisco não decepciona seus admiradores. Dirige-se a pé à multidão que o espera nas grades do Vaticano. Os serviços de segurança estão à beira de um ataque de nervos, mas a multidão está entusiasmada", lembrando uma missa nos primeiros dias de seu pontificado.

Perguntado sobre sua segurança, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, explicou que não podem ser impostas medidas de segurança a um papa.

— É preciso respeitar o estilo pessoal de cada um. Os responsáveis pela segurança sabem que não são eles que decidem, e sim o papa, e que precisam se adaptar — explicou Lombardi, jesuíta como o novo pontífice.

A responsabilidade pela segurança dos papas está nas mãos de cerca de 100 guardas suíços, o exército dos pontífices, com o apoio de 100 gendarmes do Vaticano e 140 policiais italianos. A dificuldade para os serviços de segurança é encontrar um equilíbrio entre a proteção e a liberdade de movimentos para que o papa possa estar em contato com o povo.

A dificuldade é ainda maior levando-se em conta que o papa se desloca com frequência em locais abertos, a começar pela imensa Praça de São Pedro, com capacidade para 250 mil pessoas, onde ocorreram vários incidentes na história recente. O mais grave foi o atentado cometido contra João Paulo II em 1981, quando o turco Mehmet Ali Agca, que havia se misturado à multidão, disparou contra ele e o feriu levemente. O papa polonês, assim como Francisco, também gostava do contato com o povo, recordou o porta-voz do Vaticano.

— Todos se lembram das diversas ocasiões nas quais João Paulo II quebrou as regras de segurança para poder estar com o povo, às vezes se colocando em situações arriscadas ou imprevisíveis. Era seu estilo, os responsáveis por sua segurança fizeram o que puderam — disse.

No entanto, os serviços de segurança aprenderam a lição do ataque de 1982. A partir do atentado entrou em ação um papamóvel (o veículo do papa) blindado com janelas à prova de balas, e os fiéis precisam passar por um detector de metais antes de entrar em São Pedro. Ainda assim, Francisco preferiu nesta terça-feira dar uma volta pela praça em um jipe totalmente descoberto.

Em junho de 2007, um alemão tentou subir no papamóvel de Bento XVI na praça de São Pedro, e em 2009, na missa de Natal, uma mulher se precipitou sobre o Papa e o derrubou na Basílica de São Pedro. Esses incidentes levaram a um aumento do número de agentes de segurança nas grandes ocasiões e a zona de segurança ao redor do pontífice passou a ser mais extensa.

Para a segurança da grande missa de entronização do Papa nesta terça-feira no Vaticano, as autoridades italianas mobilizaram 3 mil membros das forças de ordem, incluindo policiais à paisana espalhados entre a multidão. O aparato de segurança inclui atiradores de elite nos telhados, helicópteros sobre o Vaticano, embarcações da polícia no rio Tibre, assim como a proibição de sobrevoar a capital, fazendo de Roma por algumas horas uma cidade sitiada.

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