O homem mais poderoso da Igreja Católica nasceu no seio de uma família modesta, em Buenos Aires, na Argentina. Jorge Mario Bergoglio, agora papa Francisco, é filho de uma dona de casa e de um ferroviário de origem piemontesa — seu principal vínculo com a Itália, o que teria contado pontos no conclave.
Desde menino, é um apaixonado por futebol, ou, mais especificamente, pelo time argentino San Lorenzo — há registros fotográficos do Santo Padre agarrado ao brasão do clube, nas cores azul e vermelha. A paixão é herança paterna e faz parte de sua infância, dividida com quatro irmãos.
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Nunca foi dado a luxos, segundo relatos de pessoas próximas. Estudou em escola pública e formou-se em química. O sacerdócio veio mais tarde, uma década depois de deixar de lado a análise de substâncias e de perder um pulmão devido a uma doença respiratória.
Foi em março de 1958, aos 22 anos, que Bergoglio tomou a decisão de entrar para o noviciado da Companhia de Jesus, ordem religiosa dos jesuítas fundada no século 16. Optou por continuar vivendo sem ostentações.
Cinco anos depois, o jovem portenho decidiu estudar humanidades no Chile, mas logo voltou à pátria. Licenciou-se em Filosofia e Teologia e foi ordenado sacerdote em 1969. Não precisou mais do que quatro anos para assumir a liderança da congregação jesuítica no país.
Ascendeu na Igreja justamente durante um dos períodos mais conturbados da história recente da Argentina — a ditadura militar, entre 1976 e 1983. Chegou a ser acusado por defensores dos direitos humanos de ter compactuado com o regime. Mas, segundo seus defensores, a versão verdadeira é outra: Bergoglio teria ajudado muitos perseguidos a escaparem da prisão nos anos obscuros.
Bergoglio foi criado cardeal pelo papa João Paulo II. Foto: Juan Mabromata, AFP
Uma década após o fim da ditadura, o jesuíta seria nomeado bispo e, em 1998, conquistaria o posto de arcebispo titular da capital do tango. Seriam necessários apenas mais três anos para ser criado cardeal pelo papa João Paulo II e iniciar a caminhada rumo ao papado.
Ocupou vários cargos de destaque na Igreja e, nos anos 2000, comprou briga com a família Kirchner. Ganhou as manchetes dos jornais como um dos maiores críticos de Cristina, quando a presidente aprovou a união de pessoas do mesmo sexo. Nesse ponto, não restam dúvidas: o novo papa, de novo, não tem nada.
O caminho até ser papa
17 de dezembro de 1936 — Nasce em Buenos Aires, na Argentina, onde passa a infância, entra para a escola pública e se forma na área de química
11 de março de 1958 — Ingressa no noviciado da Companhia de Jesus
1963 — Estuda humanidades no Chile, retornando à Argentina no ano seguinte
1964-1965 — Torna-se professor de literatura e psicologia no Colégio Imaculada Conceição de Santa Fé
1966 — Passa a dar aulas também em um colégio de Buenos Aires
1967-1970 — Estuda teologia
13 de dezembro de 1969 — É ordenado sacerdote
1973-1979 — Assume a liderança da congregação jesuíta na Argentina
1980-1986 — É reitor da Faculdade de Filosofia e Teologia de San José
20 de maio de 1992 — É nomeado bispo de Auca e Auxiliar de Buenos Aires
3 de junho de 1997 — Nomeado por João Paulo II arcebispo coadjutor de Buenos Aires
28 de fevereiro de 1998 — Assume como arcebispo de Buenos Aires
21 de fevereiro de 2001 — Criado cardeal pelo papa João Paulo II
13 de março de 2013 — É eleito papa













