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Yanji, China – No restaurante Sol Vermelho, restaurante de refeições rápidas a esquina das ruas Caranguejo e Cerveja, caranguejos vivos com pernas roliças se mexem em um tanque resfriado, recém-chegados da costa da Coreia do Norte, a apenas duas horas e meia de distância por terra.
O cozinheiro e proprietário, Jin Yuansheng, mergulha os preciosos caranguejos em água fervente e os adiciona a travessas fumegantes de pepino-do-mar, camarão e lula, que ele traz à mesa, também oriundos das águas da Coreia do Norte.
Esta cidade fronteiriça no frio e pobre nordeste da China faz fronteira com a Coreia do Norte ao longo do gelado Rio Tumen, onde uma ponte serve como a passagem para um vibrante comércio de mariscos vindos do Mar do Japão perto da Coreia do Norte. É um exótico mercado de nicho, com mais de 11 bilhões de dólares anuais de comércio entre a Coreia do Norte e a China.
Retirados de águas profundas a 900 metros por traineiras tripuladas por trabalhadores da Coreia do Norte, os caranguejos são primeiramente levados para o porto norte-coreano de Rason, uma zona econômica especial que atende investidores estrangeiros, grande parte da qual é financiada pela China. Os caranguejos são enviados no gelo por caminhão para a cidade fronteiriça chinesa de Quanhe, e depois levados ao mercado em Yanji, ou transportados por avião para toda a China como uma iguaria para os ricos.
— Trazer os caranguejos até aqui é uma operação delicada — afirmou Jin. — Se eles aquecerem muito na viagem, eles podem morrer, e se esfriarem muito, podem morrer congelados.
Como muitas cidades de fronteira em regiões difíceis do mundo, Yanji oferece uma visão do território proibido. As pessoas aqui, especialmente as da etnia coreana, falam do relacionamento de conflito com o vizinho, administrado por um dos governos mais isolados e brutais do mundo. Para o povo reprimido da Coreia do Norte, parece haver simpatia entre os moradores do lado chinês da fronteira.
Pode-se sentir a sombra da Coreia do Norte de muitas maneiras por aqui. No subterrâneo, refúgios protegem desertores da Coreia do Norte, que são corajosos o bastante para se arriscar escapando pelo Rio Tumen. Na superfície, lojas vendem produtos alimentícios norte-coreanos: os cogumelos caros divulgados como trufas; a raiz de ginseng, e o pó da vesícula de ursos vendido para fortalecer o sistema imunológico.
Na Galeria de Arte de Kuanshi, pinturas de paisagens em pastel de artistas norte-coreanos vendem rapidamente, compradas por colecionadores chineses com gosto pela nostalgia, disse Li Hezhang, o diretor da galeria. Cinco artistas norte-coreanos são convidados a Yanji todos os anos, onde ficam por alguns meses pintando imagens encomendadas solicitadas pela galeria, afirmou Li.
Por séculos a Coreia fez parte do sistema tributário feudal chinês, enviando presentes para a corte chinesa e se submetendo à preeminência do imperador chinês, um acordo que criou uma postura de superioridade por parte dos chineses em relação aos coreanos.
Aqui, os resquícios dessa arrogância persistem, e comerciantes de frutos do mar que viajam para Rason – que tem a reputação de ser uma vitrine para a modernidade comparada a tudo o mais na Coreia do Norte – comentam sobre o quanto ela é atrasada.
— É como a China nos anos 50 — disse Jin.
Para comerciantes chineses, importar caranguejos é um negócio lucrativo. Eles vendem não apenas para restaurantes sofisticados na China, mas também para organizadores de banquetes. A conversa de vendedor enfatiza o que é chamado de pureza das águas na região da Coreia do Norte empobrecida, em comparação aos oceanos mais poluídos na região industrializada do Japão e Coreia do Sul.
— Os pescadores capturam os caranguejos bem no fundo, por isso ele é de alta qualidade — afirmou Qu Baojie, cuja empresa importa caranguejos de Rason. — A Coreia do Sul e o Japão não conseguem concorrer.
Seu caranguejo, com a marca Caranguejo Terra, Caranguejo Céu, é destacado no buffet do Golden Jaguar, um restaurante chique de Pequim, e é vendido em caixas vermelhas próprias para presentes, afirmou.
As operações de pesca em Rason, um porto que não congela e dá acesso o ano todo às províncias do nordeste da China, funcionam bem tranquilamente, Qu declarou. Traineiras de pesca equipadas com equipamentos sul-coreanos cruzam as águas à noite, retornando para a costa aproximadamente às 4h da manhã.
O que eles pegam é então transferido para uma fábrica estatal onde alguns caranguejos são embalados vivos e outros são processados, declarou. Aproximadamente 300 trabalhadores norte-coreanos são empregados durante o auge da temporada de pesca, de setembro a dezembro.
Com seu negócio de caranguejo indo de vento em popa, ele recentemente comprou uma nova fábrica de processamento em Yanji, Qu declarou.
Uma parte da carne de caranguejo foi embalada a vácuo em plástico transparente, e vendida para outros comerciantes chineses, que então a despacharam para os Estados Unidos, disse. Qual o nome da marca da carne de caranguejo norte-coreana vendida nos Estados Unidos? "Eles rotulam com suas próprias marcas", declarou sobre os compradores americanos.
Qu disse que as condições do negócio em Rason têm melhorado continuamente. O Banco Agrícola da China, um dos grandes bancos chineses, recentemente abriu uma filial na cidade, possibilitando pagar seus fornecedores, e os norte-coreanos agora permitem que os comerciantes chineses levem seus telefones celulares para a Coreia do Norte.
Embora a China seja de longe o maior investidor da Coreia do Norte, o governo norte-coreano não confia nos comerciantes, e eles são mantidos separados dos trabalhadores norte-coreanos, disse.
— Não me importo com a política — declarou Qu, completando: — De qualquer modo, a China alugou Rason por 50 anos.













