Contra al-Assad20/02/2013 | 17h36

Rebeldes sírios ameaçam bombardear Hezbollah no Líbano

É a primeira vez que bombardeios vindos do movimento libanês são citados pela rebelião

Enviar para um amigo
Rebeldes sírios ameaçam bombardear Hezbollah no Líbano Mauricio Morales/AFP
Sírios se reúnem em cena de explosão em Aleppo. Ao menos 70 mil morreram na guerra civil nos últimos dois anos, de acordo com estimativas da ONU Foto: Mauricio Morales / AFP

A principal formação armada da rebelião síria ameaçou bombardear a partir desta quinta-feira o movimento Hezbollah libanês, acusado de disparar contra cidades rebeldes na Síria, uma escalada sem precedentes que provocou novos receios de um transbordamento do conflito.

Esta ameaça foi feita em uma declaração à AFP pelo general Salim Idriss, chefe do Estado Maior do Exército Livre Sírio (ESL), que acusa o movimento armado xiita libanês Hezbollah de lutar ao lado do regime de Bashar al-Assad, seu aliado incondicional. Porém, esta é a primeira vez que a rebelião cita bombardeios do movimento a partir do Líbano.

— O que é novo é que o Hezbollah começou a bombardear os vilarejos ao redor de Qousseir a partir do território libanês, e não podemos aceitar isso — declarou, ressaltando ter — provas de que o Hezbollah envia seus combatentes para apoiar o Exército de Assad.

O general Idriss relatou disparos da aldeia libanesa de Zeita, no Vale do Bekaa. A região de Qousseir está localizada próxima a fronteira.

— Anunciamos ontem que se esta agressão não parar dentro de 48 horas, o ESL responderá às fontes dos tiros. Ao fim de 48 horas, isto é, quinta-feira, o ESL em Qousseir responderá às fontes dos disparos e também mobilizará combatentes equipados com armas de longo alcance em outras regiões — alertou.

Em 2012, o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, afirmou que alguns membros de seu partido combatiam os rebeldes sírios, mas de maneira individual. O movimento publica periodicamente comunicados anunciando a morte de um de seus combatentes no "exercício de seu dever jihadista".

Domingo, o poderoso movimento indicou que três libaneses xiitas foram mortos nos combates contra os rebeldes na Síria, recusando-se a especificar se eram membros do partido que domina com seus aliados o governo do Líbano.

No mesmo dia, o Conselho Nacional Sírio (CNS), um dos principais componentes da oposição, acusou o Hezbollah de ter lançado no sábado um "ataque armado" em Qousseir.

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), esses libaneses são membros dos Comitês Populares Pró-regime e foram treinados pelo Hezbollah.

Os rebeldes na Síria são predominantemente sunitas, enquanto o clã de Assad é alauíta, um ramo do xiismo.

O Líbano, que vive há três décadas sob tutela síria, está dividido sobre o conflito entre o Hezbollah e a oposição que apoia a rebelião.

Os Estados Unidos temem que o "caos" na Síria permita o Hezbollah colocar as mãos em armas do regime de Assad, incluindo armas químicas.

Israel, que também teme a transferência de armas sírias para o Hezbollah, reivindicou um ataque aéreo em 30 de janeiro, perto de Damasco, que tinha como alvo um comboio transportando mísseis terra-ar e edifícios suspeitos de abrigar armas químicas, de acordo com fontes dos Estados Unidos.

No terreno, combates foram travados em várias frentes na Síria, causando a morte de 107 pessoas, de acordo com um balanço preliminar do OSDH, enquanto Moscou alertou os rebeldes e o regime que caso o conflito continue levará à "destruição mútua".

Pelo segundo dia consecutivo, Damasco tem sido alvo de morteiros que caíram em um complexo esportivo, onde um jogador de futebol foi morto e quatro outros ficaram feridos, segundo uma fonte oficial.

Na província de Damasco, os rebeldes derrubaram um avião de combate do Exército após a morte de 20 pessoas, incluindo mulheres e crianças, em um ataque aéreo na região, de acordo com o OSDH.

Na frente de combate de Aleppo, os combates continuam entre soldados e rebeldes perto de bases aéreas e do aeroporto internacional, afirmou a ONG.

Segundo a ONU, mais de 70 mil pessoas morreram no país em quase dois anos de conflito provocado por um levante popular brutalmente reprimido pelo regime.

Notícias Relacionadas

The New York Times 19/02/2013 | 07h10

O adolescente desconhecido que começou a guerra da Síria

Jovem conta que fazia parte do grupo de amigos que, através da pichação do muro de uma escola, deu início aos conflitos sírios

Sem proteção às vítimas 12/02/2013 | 21h47

Número de mortos na guerra civil da Síria se aproxima de 70 mil

Sanções ao país não foram aceitas por Rússia e China, aliados sírios, no Conselho de Segurança da ONU

Conflitos na Síria 12/02/2013 | 08h35

Rebeldes sírios tomam o controle de aeroporto militar no norte do país

Insurgentes dominam o território nacional e desafiam o exército local

Mundo árabe 11/02/2013 | 23h

Presidente sírio, Bashar al-Assad diz que seu regime não cederá a pressões

Esta segunda-feira foi marcada por um atentado que deixou pelo menos 10 mortos e 30 feridos

Siga os perfis de ZH no Twitter

  • transitozh

    transitozh

    Trânsito Zero HoraRT @aovivozh: Trânsito liberado nos dois sentidos da Padre Cacique.há 4 minutosRetweet
  • transitozh

    transitozh

    Trânsito Zero HoraRT @camilanunes: Trânsito na Padre Cacique liberado no bairro/Centro, mas bem congestionado. Centro/bairro segue bloqueado.há 20 minutosRetweet
Imprimir
clicRBS
Nova busca - outros