Adeus Bento XVI12/02/2013 | 09h18Atualizada em 12/02/2013 | 10h44

Problemas políticos também motivaram renúncia do Papa, diz vaticanista

Jornalista italiano, setorista do Vaticano, avalia a renúncia de Bento XVI

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Fabio Marchese Ragona trabalha pela corporação televisa MediaSet, como correspondente dos assuntos do Vaticano para o canal TGCOM24. A pedido do Diário Catarinense, o "vaticanista", como se refere a cobertura exclusiva do território papal, avaliou a renúncia do papa. Para o jornalista, além da idade de Bento XVI, que apesar dos 86 anos não está doente, há alguns detalhes políticos internos que também motivaram a sua renúncia.

Fábio Marchese Ragona - jornalista italiano - Roma

As palavras mais importantes sobre a renúncia do Papa, acredito foram pronunciadas pelo Cardeal Angelo Sodano, decano do Colégio dos Cardeais: "É, foi um raio no céu azul." Na verdade, ninguém nos quartos do Vaticano nunca imaginou que Ratzinger teria chegado a uma decisão drástica. Uma decisão informada ao longo dos anos, mas que ao mesmo tempo criou um choque em todo o mundo católico.

O que está por trás da renúncia do Papa Bento XVI? Há definitivamente um homem, um teólogo de quase 86 anos que percebeu que não era mais capaz de levar adiante o papado como um Papa deveria. Muitos no Vaticano pensam que a decisão de deixar a Cátedra de Pedro também veio depois de um ano dramático, o ano de Vatileaks: o Papa foi atacado internamente por seus colaboradores mais próximos (especialmente o seu antigo assessor sala Paulo Gabriel) e isso o tinha deixado ferido e profundamente perturbado. O peso deste escândalo, que machucou toda a Igreja e não apenas o Papa, certamente contribuiu para o abandono do Pontificado.

O Papa, em seu discurso aos cardeais reunidos na manhã de ontem, disse: "A força em mim é diminuída de tal forma a reconhecer a minha incapacidade de gerir bem o ministério que me foi confiado." Esta força foi deixando por um longo tempo Bento XVI, uma força que não significa doença. O papa não está doente, está apenas cansado, já não tem a força para suportar este peso enorme e importante.

Obviamente, há descrença entre os cardeais e bispos, mas ao mesmo tempo há uma consciência de um gesto corajoso por um Papa que, em 2010, em seu livro "Luz do Mundo" tinha falado sobre uma possível demissão. No Vaticano, agora há um ar de espanto, mas também de espera. Reza-se pela decisão de Bento XVI, pelo homem Joseph Ratzinger (após 28 de fevereiro vai se retirar em um mosteiro), mas se reza também para que o Espírito Santo ilumine o conclave para escolher o próximo papa de Roma.

Texto Orginal

Le parole più importanti sulle dimissioni del Papa credo che siano state pronunciate dal Card. Angelo Sodano, decano del Collegio Cardinalizio: "E' stato un fulmine a ciel sereno". E in effetti nessuno dentro le stanze vaticane poteva mai immaginare che Ratzinger sarebbe arrivato a una decisione così drastica, una decisione ponderata negli anni ma allo stesso tempo che ha creato uno shock in tutto il mondo cattolico.

Cosa c'è dietro le dimissioni di Papa Benedetto XVI? C'è sicuramente un uomo, fine teologo di quasi 86 anni che ha capito di non essere più in grado di poter portare avanti il pontificato come un Papa dovrebbe. In tanti dentro al Vaticano oggi pensano che la decione di lasciare la Cattedra di Pietro sia anche arrivata dopo un anno drammatico, l'anno del Vatileaks: il Papa si è visto attaccato dall'interno dai suoi più stretti collaboratori (in primis il suo ex aiutante di camera Paolo Gabriele) e questo lo aveva ferito e turbato profondamente. Il peso di questo scandalo, che ha ferito tutta la Chiesa e non solo il Papa, ha di certo contribuito all'abbandono del Pontificato.

Il Papa nel suo discorso ai cardinali riuniti ieri ha detto: "Il vigore in me è diminuito in modo tale da dover riconoscere la mia incapacità di amministrare bene il ministero a me affidato". Questo vigore da tempo stava abbandonando Benedetto XVI, un vigore che però non significa malattia! Il papa non è malato è soltanto stanco, non ha più le forze per reggere questo gravoso e importantissimo peso.

Ovviamente tra cardinali e vescovi c'è incredulità ma allo stesso tempo c'è la consapevolezza di un gesto coraggioso da parte di un Papa che già nel 2010, nel libro "Luce del mondo" aveva parlato di possibili dimissioni. In Vaticano adesso si respira un'aria di stupore ma anche di attesa: si prega per la decisione di Benedetto XVI , si prega per l'uomo Joseph Ratzinger (che dopo il 28 febbraio si ritirerà in un monastero di clausura) ma si prega anche perchè lo Spirito Santo possa illuminare il conclave per la scelta del prossimo Papa di Roma.

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